AVISO IMPORTANTE

"As informações fornecidas são baseadas em artigos científicos publicados. Os resumos das doenças são criados por especialistas e submetidos a um processo de avaliação científica. Estes textos gerais podem não se aplicar a casos específicos, devido à grande variabilidade de expressão da doença. Algumas das informações podem parecer chocantes. É fundamental verificar se a informação fornecida é relevante ou não para um caso em concreto.

"A informação no Blog Estudandoraras é atualizada regularmente. Pode acontecer que novas descobertas feitas entre atualizações não apareçam ainda no resumo da doença. A data da última atualização é sempre indicada. Os profissionais são sempre incentivados a consultar as publicações mais recentes antes de tomarem alguma decisão baseada na informação fornecida.

"O Blog estudandoraras não pode ser responsabilizada pelo uso nocivo, incompleto ou errado da informação encontrada na base de dados da Orphanet.

O blog estudandoraras tem como objetivo disponibilizar informação a profissionais de cuidados de saúde, doentes e seus familiares, de forma a contribuir para o melhoramento do diagnóstico, cuidados e tratamento de doenças.

A informação no blog Estudandoraras não está destinada a substituir os cuidados de saúde prestados por profissionais.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

HISTIOCITOSE

Histiocitose Informações general Sintomas Tratamento Prevenção Figuras Nomes alternativos: granuloma eosinofílico, doença de Hand-Schuller-Christian, histiocitose X, histiocitose das células de Langerhans, doença de Letterer-Siwe, reticuloendoteliose não lipídica, histiocitose X pulmonar, granulomatose pulmonar das células de Langerhans Definição: Nome genérico que inclui qualquer uma das 3 possibilidades relacionadas às síndromes caracterizadas por um aumento no número de histiócitos no sangue, e que possuem uma causa desconhecida. Causas, incidência e fatores de risco: A histiocitose pulmonar é caracterizada pela inflamação dos bronquíolos e dos pequenos vasos sangüíneos dos pulmões. Esse tipo de inflamação leva a uma rigidez (fibrose) e à destruição das paredes dos alvéolos. A causa é desconhecida. As pessoas na faixa dos 30 a 40 anos de idade são afetadas com mais freqüência. O consumo de cigarros é um fator de risco para a histiocitose pulmonar. Essa doença apresenta com muita freqüência um quadro de pneumotórax espontâneo. A incidência da histiocitose é de cerca de 1 em cada 10.000 pessoas. A histiocitose também pode se manifestar na infância. Em crianças, a histiocitose compromete tipicamente os ossos (80%) e pode se manifestar em uma ou em várias partes do corpo, sendo que o crânio é muito freqüentemente envolvido. Os tumores apresentam um aspecto de tecido puncionado quando vistos através do raio X do osso; além disso, os tumores nos ossos que suportam mais peso, como a coluna ou as pernas, podem sofrer uma fratura de maneira espontânea. O comprometimento sistêmico pode causar erupções, problemas pulmonares, alargamento do baço e do fígado, anemia e morte. Crianças com idade superior a cinco anos têm freqüentemente apenas envolvimento ósseo. No entanto, aquelas que sobrevivem por longos períodos geralmente continuam a ter problemas. Crianças menores, principalmente os bebês, apresentam maiores possibilidades de apresentar um comprometimento sistêmico com resultados fatais HISTIOCITOSE X (SÍNDROME DE HAND-SCHULLER-CHRISTIAN) – RELATO DE CASO* José Olimar Carneiro Filho1, Marta Santos Leite2, José Moacyr Andrade Neto3 Os autores relatam o caso de uma criança do sexo feminino, quatro anos de idade, que apresentava cefaléia, irritabilidade, otorréia e exoftalmia unilateral. No estudo tomográfico e na radiologia convencional encontraram- se grandes áreas líticas no crânio e na sua base. O restante do esqueleto não evidenciou anormalidades. O diagnóstico de histiocitose X (síndrome de Hand-Schuller-Christian) foi confirmado pelo mielograma. Este estudo mostra achados radiológicos e citológicos, além de apresentar uma revisão da literatura sobre o caso. Unitermos: Histiocitose. Histiocitose X. Hand-Schuller-Christian. Crânio. Histiocytosis X (Hand-Schuller-Christian disease) – a case report. The authors report a case of a 4-year-old girl with headache, irritability, otorrhea, and unilateral exophthalmus. Computed tomography and plain films showed large lytic areas in the vault and base of the skull. No other bones were involved. The diagnosis of histiocytosis X (Hand-Schuller-Christian disease) was confirmed by bone marrow biopsy. This paper presents the cytological and radiological findings of this patient as well as a review of the literature. Key words: Histiocytosis. Histiocytosis X. Hand-Schuller-Christian. Skull. Resumo Abstract * Trabalho realizado no Centro de Diagnóstico por Imagem do Instituto Dr. José Frota (IJF) e na Clínica Radiológica Beroaldo Jurema, Fortaleza, CE. 1. Médico Radiologista do Hospital Geral de Fortaleza, do IJF e da Clínica Beroaldo Jurema, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia. 2. Médica Radiologista do Hospital Geral de Fortaleza e da Clínica Beroaldo Jurema. 3. Médico Residente de Clínica Médica do Hospital Universitário Lauro Wanderley, João Pessoa, PB. Endereço para correspondência: Dr. José Olimar Carneiro Filho. Rua Pereira de Miranda, 1110, apto. 301. Fortaleza, CE, 60160-040. E-mail: olimar_carneiro@hotmail.com Recebido para publicação em 18/5/2001. Aceito, após revisão, em 10/9/2001. INTRODUÇÃO A histiocitose X é um distúrbio do sistema reticuloendotelial, caracterizado pela proliferação de macrófagos de aspecto normal, com ou sem reação inflamatória associada de eosinófilos, neutrófilos e células mononucleares envolvendo o tegumento, o osso e as vísceras. Sua etiologia é desconhecida. As três síndromes clínicas conhecidas – granuloma eosinófilo do osso, síndrome de Hand-Schuller-Christian e síndrome de Letterer-Siwe – compartilham uma patologia semelhante. A gravidade varia desde uma forma benigna, em pacientes com lesões ósseas solitárias ou multifocais, até deterioração progressiva e morte em lactentes com comprometimento visceral. A doença não costuma ter característica familiar. O tecido afetado apresenta hiperplasia retículo-endotelial com infiltração disseminada por células mononucleares bizarras e células plasmáticas(1–3). A síndrome de Hand-Schuller-Christian é observada com mais freqüência em crianças e jovens. A tríade clássica de defeitos osteolíticos nos ossos membranosos, exoftalmia e diabete insípido só ocorre numa pequena porcentagem de casos, embora a sua presença seja diagnóstica. A doença não costuma ser fatal, mas é crônica e, algumas vezes, progressiva. RELATO DO CASO Paciente do sexo feminino, quatro anos de idade, branca, natural e residente em Fortaleza, CE. Sua mãe relatou que a criança vinha apresentando gradativa deformidade facial e exoftalmia, ao longo de aproximadamente dois anos, associada a episódios de cefaléia e irritabilidade. Nas duas últimas semanas a paciente passou a apresentar otorréia unilateral, associada a otalgia e hipoacusia. O estudo radiológico convencional do crânio evidenciou extensas áreas líticas com bordas definidas na região parietal direita, fronto-têmporo-parietal esquerda com erosão da pirâmide petrosa e envolvimento occipital homolateral (Figura 1). O estudo radiológico do restante do esqueleto não evidenciou anormalidades. No estudo tomográfico do crânio observaram- se lesões osteolíticas com coeficientes de atenuação de partes moles, apresentando impregnação do contraste, comprometendo a calota craniana em regiões frontal, temporal e occipital à esquerda e fronto- parietal alta à direita (Figuras 2, 3 e 4 ). Notou-se também envolvimento da parede lateral e superior da órbita esquerda, determinando deslocamento do globo ocular e músculo reto-lateral medial e inferiormente (Figura 3). Associado, observou-se acentuado espessamento meníngeo adjacente às lesões osteolíticas (Figura 5). Houve destruição da pirâmide petrosa à esquerda e da ponta do rochedo à direita (Figura 6). Extensas lesões com características semelhantes comprometiam a base do crânio, com erosões ósseas no clívus, na sela turca e no forame magno com extensão ao canal vertebral (Figura 7). O parênquima cerebral apresentava valores de atenuação normais. A partir dos achados radiográficos e tomográficos, foi sugerido o diagnóstico de histiocitose X (síndrome de Hand-Schuller- Christian). O mielograma, realizado por punção da crista ilíaca, revelou resistência óssea normal, normocelularidade, série eritróide (5%) hipoplasiada, série mielóide Histiocitose X (síndrome de Hand-Schuller-Christian) – relato de caso 110 Radiol Bras 2002;35(2):109–112 (79%) hipoplasiada com todos os elementos representados, relação M:E = 15,8/1, série megacariocítica normoplasiada, linfócitos (16%), sendo estas alterações degenerativas dos histiócitos compatíveis com histiocitose (Figura 8). O estudo ecográfico do abdome para pesquisa de lesões granulomatosas em vísceras compactas (fígado, baço) ou outras alterações relativas à histiocitose X não revelou anormalidades. DISCUSSÃO Desconhece-se a real incidência da histiocitose X, mas é provavelmente superior a 1/100.000 por ano em crianças com menos de um ano de idade, ou de 0,2/100.000 nos indivíduos com menos de 15 anos. Os dados utilizados para a estimativa não incluíram as crianças com granuloma eosinófilo solitário ou disseminado, nem as com síndrome de Hand-Schuller-Christian(4). Não se sabe ao certo a causa da histiocitose X. Apesar de a histiocitose X ser considerada como distúrbio não hereditário, os indivíduos do sexo masculino são afetados duas vezes mais do que os do sexo feminino. Em geral, as manifestações clínicas aparecem na primeira década e apresentam incidência máxima no grupo etário entre dois e seis anos de idade. Como a histiocitose X pode afetar quase todos os órgãos, A B C Figura 1. Radiografias do crânio em póstero-anterior (A) e perfil (B) evidenciando extensas lesões líticas na região fronto-têmporo-parietal esquerda. Em C, incidência de Towne, observam-se lesões líticas na pirâmide petrosa e no osso occipital à esquerda, e erosão da ponta do rochedo contralateral. Figura 2. Corte tomográfico evidenciando lesões osteolíticas com impregnação do contraste, envolvendo regiões frontal e temporal à esquerda e occipital bilateral. Figura 3. Corte tomográfico mostrando comprometimento da parede lateral da órbita esquerda e de estruturas intra-orbitárias. Figura 4. Lesão osteolítica em situação frontoparietal alta à direita. Carneiro Filho JO et al. Radiol Bras 2002;35(2):109–112 111 os achados clínicos são extremamente variáveis. Numa série de 39 pacientes de 16 anos de idade ou menos, as manifestações radiológicas iniciais incluíram lesões ósseas (n = 38) predominando no crânio (n = 14), fêmur (n = 9), escápula (n = 6) e mandíbula (n = 4)(5–7). A otite média, que é muitas vezes bilateral, costuma resultar diretamente da invasão das mastóides e porções pétreas dos ossos temporais. A linfadenopatia pode predominar em certas ocasiões. A tríade clássica de exoftalmia, diabete insípido e lesões esqueléticas ocorre raramente sem outras manifestações clínicas, embora tenda a aparecer entre dois e quatro anos de idade. A exoftalmia, que pode ser unilateral ou bilateral, pode produzir distúrbios visuais e, com freqüência, está associada a lesões esqueléticas destrutivas da órbita. As lesões ósseas podem ou não produzir sintomas, dependendo do local de comprometimento do osso. Pode ocorrer colapso de uma ou mais vértebras. As lesões do crânio, que podem produzir áreas locais de intumescimento, constituem o local mais comum de comprometimento ósseo na histiocitose X. O comprometimento pulmonar é observado em cerca de 25% dos casos. Todavia, a angústia respiratória e o pneumotórax são manifestações raras, que estão mais freqüentemente associadas a outras manifestações sistêmicas da doença(8). As conseqüências a longo prazo da histiocitose X erradicada ou cicatrizada incluem insuficiência pulmonar e cor pulmonale, devido à fibrose pulmonar ou hipertensão porta causada pela fibrose hepática. O diabete insípido pode representar também uma seqüela tardia, mas, em geral, ocorre dentro de 18 meses após o início do comprometimento ósseo. Outras manifestações do sistema nervoso central associadas à histiocitose X incluem: crises convulsivas, pressão intracraniana aumentada, déficits neurológicos focais, retardamento mental, perda da audição, tremor intencional e atrofia ótica(9). O atraso de crescimento que tem sido observado em um terço dos pacientes(5) encontra-se muitas vezes associado a um atraso da idade óssea, demora no fechamento das epífises e hipogonadismo com ausência de desenvolvimento sexual, indicando comprometimento do hipotálamo ou da hipófise(10). O comprometimento do esqueleto pode manifestar-se sob a forma de áreas circunscritas solitárias ou múltiplas de destruição osteolítica no interior do osso. Estas áreas de destruição osteolítica podem aparecer rapidamente, e se houver múltiplas lesões elas podem estar em vários estágios de cicatrização. As cintilografias ósseas com Figura 5. Corte tomográfico mostrando espessamento meníngeo com impregnação do contraste, adjacente às lesões osteolíticas. Figura 6. Destruição da pirâmide petrosa à esquerda e da ponta do rochedo contralateral. Figura 7. Extensas lesões osteolíticas envolvendo estruturas da base craniana. Figura 8. Mielograma evidenciando alterações degenerativas dos histiócitos compatíveis com histiocitose. Histiocitose X (síndrome de Hand-Schuller-Christian) – relato de caso 112 Radiol Bras 2002;35(2):109–112 tecnécio podem ser positivas nas lesões com atividade osteoblástica. O crânio é o local mais freqüente de comprometimento ósseo. As lesões aparecem como áreas de destruição medular e cortical, bem como a nova formação de osso periosteal é comum. Quando a mandíbula está afetada, a destruição da lâmina dura do alvéolo e do osso alveolar de sustentação dá, com freqüência, a ilusão de que os dentes estão flutuando no ar. Se a base do crânio estiver afetada, a destruição costuma ocorrer nas porções mastóides e petrosas do osso temporal. Em geral, o comprometimento dos corpos vertebrais começa como uma área puramente osteolítica, que progride para o colapso do corpo afetado, com disco uniformemente delgado e denso (vértebra plana). O colapso pode ser assimétrico, com aspecto de cunha anterior, e costuma ser observado em algum estágio do processo. Um dos aspectos importantes para diferenciar estas lesões das infecções dos corpos vertebrais consiste na preservação da altura do espaço intervertebral(6). O índice de sobrevida geral das crianças com histiocitose X é de 70%(9,11). Vários fatores foram considerados importantes indicadores para o prognóstico: 1) idade do paciente no início da doença; 2) extensão da doença clínica, determinada pelo exame físico, avaliação laboratorial e radiológica; 3) local específico de comprometimento orgânico; 4) probabilidade de uma resposta satisfatória à terapia, baseada na retenção da função do órgão afetado, bem como no quadro patalógico específico do órgão comprometido na biópsia. REFERÊNCIAS 1. Falletta JM, Fernbach DJ, Singer DB, et al. A fatal x-linked recessive reticuloendothelial syndrome with hyperglobulinemia. X-linked recessive reticuloendotheliosis. J Pediatr 1973;83: 549–56. 2. MacMahon HE, Bedizel M, Ellis CA. Familial erythrophagocytic lymphohistiocytosis. Pediatrics 1963;32:868–78. 3. Miller DR. Familial reticuloendotheliosis: concurrence of disease in five siblings. Pediatrics 1966;38:986–95. 4. Glass AG, Miller RW. U.S. mortality from Letterer- Siwe disease, 1960–1964. Pediatrics 1968;42: 364–7. 5. Alvioli LV, Lasersohn JT, Lopresti JM. Histiocytosis X (Schuller-Christian disease): a clinicopathological survey. Review of ten patients and the results of prednisone therapy. Medicine 1963;42:119–28. 6. Ennis JT, Whitehouse G, Ross FGM, Middlemiss JH. The radiology of the bone changes in histiocytosis. Clin Radiol 1973;24:212–20. 7. Oberman HA. Idiopathic histiocytosis: a clinicopathologic study of 40 cases and review of the literature on eosinophilic granuloma of bone, Hand-Schuller-Christian disease, and Letterer- Siwe. Pediatrics 1961;28:307–16. 8. Smith M, McCormack LJ, Van Ordstrand HS, Mercer RD. “Primary” pulmonary histiocytosis X. Chest 1974;65:176–80. 9. Lucaya J. Histiocytosis X. Am J Dis Child 1971; 121:289–95. 10. Avery ME, McAfee JC, Guild HG. The course and prognosis of reticuloendotheliosis: a study of 40 cases. Am J Med 1957;12:636–43. 11. Lahey ME. Histiocytosis X: an analysis of prognostic factors. J Pediatr 1975;87:184–92.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A síndrome de Treacher Collins

A síndrome de Treacher Collins (também conhecida como disostose mandibulofacial ou Síndrome Franceschetti-Zwahlen-Klein) é uma doença genética caracterizada por deformidades crânio-faciais. É uma malformação congênita que envolve o primeiro e segundo arcos branquiais. É uma doença rara, com uma incidência de 1:40000 a 1:70000 nascidos vivos.

[editar]Genética

A transmissão da doença é autossômica dominante de expessividade variável. Mutações no gene TCOF1 (mapeado no cromossomo 5q) são responsáveis pela síndrome. Há 26 éxons, e verifica-se mutações nos éxons 10,15,16,23 e 24 em 50% dos casos.

[editar]Manifestações clínicas

Inclinação antimongolóide das fissuras palpebrais associadas ou não a colobomas da pálpebra inferior; hipoplasia malar; micrognatia; palato fendido; macrostomia; microtia com possível surdez; malformação das orelhas.

[editar]Tratamento

Os pacientes necessitam de acompanhamento de cirurgiões crânio-faciais, oftalmologistas, fonoaudiólogos, cirurgiões dentistas e otorrinolaringologistas.

o primeiro a referenciar a Síndrome foi Thomson, em 1846, mas foi
Edward Treacher Collinsquem descreveu seus componentes essenciais em 1900. Klein e Franceschetti realizaram intensivos estudos sobre a Síndrome em 1949. A síndrome de Treacher Collins (também conhecida como disostose mandibulofacial ou Síndrome Franceschetti-Zwahlen-Klein) é uma doença genética caracterizada por deformidades crânio-faciais. É uma malformação congênita que envolve o primeiro e segundo arcos branquiais. É uma doença rara, com uma incidência de 1:40000 a 1:70000 nascidos vivos. Inclinação antimongolóide das fissuras palpebrais associadas ou não a colobomas da pálpebra inferior; hipoplasia malar; micrognatia; palato fendido; macrostomia; microtia com possível surdez; malformação das orelhas. Atransmissão da doença é autossômica dominante de expessividade variável. Mutações no gene TCOF1 (mapeado no cromossomo 5q) são responsáveis pela síndrome. Há 26 éxons, e verifica-se mutações nos éxons 10,15,16,23 e 24 em 50% dos casos. Os pacientes necessitam de acompanhamento de cirurgiões crânio-faciais, oftalmologistas, fonoaudiólogos, cirurgiões dentistas e otorrinolaringologistas.
Síndrome de Treacher Collins ou Síndrome de
Franceschetti-Klein ou Disostose Mandíbulo-Facial
Treacher Collins Syndrome or Franceschetti-Klein
Syndrome or Mandibulofacial Dysostosis
Instituto da Criança "Prof. Pedro de Alcantara"
do Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo.
Unidade de Genética Clínica.
1. Professor Associado do Departamento de
Ortopedia e Traumatologia da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo.
Claudette H. Gonzalez1
Resumo
O autor discute as manifestações
clínicas, o diagnóstico e o tratamento
da síndrome de Treacher Collins.
Em 1900 um oftalmologista britânico,
o Dr. E. Treacher Collins 8,
descreveu um paciente com anormalidade
das pálpebras associadas à
hipoplasia dos ossos malares. Posteriormente,
Franceschetti & Klein3,
em ampla revisão da doença, passam
a denominá-la de disostose mandíbulo-
facial.
A literatura européia utiliza preferencialmente
o epônimo síndrome
de Franceschetti-Klein. Na literatura
científica anglo-saxã a condição é
conhecida como síndrome de Treacher
Collins, denominação que adotamos.
Manifestações clínicas2'4'5' (Figuras
l, 2 e 3)
A síndrome pode ser reconhecida
já ao nascimento, dada a aparência
facial característica do afetado.
Fissuras palpebrais antimongolóides,
ossos malares achatados, orelhas
deformadas e queixo pequeno
constituem uma figura clínica
que uma vez visualizada se torna
inesquecível.
Olhos. Ainda que a visão geralmente
seja normal, há anomalias
oculares importantes. As fissuras
palpebrais apresentam-se inclinadas
ínfero-lateralmente (obliqüidade antimongolóide).
Há coloboma no terço
externo da pálpebra inferior
em 75% dos casos e uma falha de
cilios na região mediai'ao coloboma
é encontrada em 50% dos pacientes.
Pode ocorrer também coloboma
de íris. Os orifícios dos condutos
lacrimáis inferiores podem
estar ausentes assim como as glândulas
de Meibomius.
Estudos radiológicos mostram
que as margens orbitais inferiores
podem ser anômalas. A cavidade
orbital, por sua vez, pode ter forma
ovalada, com o teto inclinado
ínfero-lateralmente.
Nariz. Parece grande, devido à
falta de desenvolvimento do osso
malar. As narinas, freqüentemente,
são estreitas e as cartilagens malares
hipoplásicas. O ângulo nasofrontal
costuma não ser nítido e a ponte
nasal é alta. A atresia de coana
já foi relatada na síndrome.
Orelhas. O pavilhão auricular é
freqüentemente deformado, com
excesso de pregueamento e pode
ter implantação baixa. Pode haver
microtia, isto é, grande diminuição
do tamanho da orelha. O conduto
auditivo externo apresenta-se estreitado
e em 30% dos afetados há agenesia
do mesmo ou defeitos da cadeia
de ossículos, acompanhadas
de surdez de condução. A surdez
total é rara. As anomalias dos ossículos
consistem em fixação do martelo,
fusão do martelo e do estribo
(que, além disso são malformados),
estribo monopodal, ausência
do estribo e da janela oval, ausência
completa do ouvido médio e
do espaço epitimpânico.
Apêndices auriculares e fístulas
em fundo cego podem ocorrer
em qualquer ponto entre o tragus
e a comissura oral.
Crânio. O calvário é essencialmente
normal, mas estudos radiológicos
nos afetados revelam cristas
supra-orbitárias pouco desenvolvidas
e com marcas de impressões
digitais, mesmo com suturas ósseas
normalmente relacionadas. O
corpo do osso malar pode estar totalmente
ausente. O mais freqüente,
porém, é o nosso malar ser grosseira
e simétricamente hipodesenvolvido.
As mastóides não são pneumatizadas
e costumam ser esclerosadas.
Os seios paranasais são, geralmente,
muito pequenos ou podem estar
ausentes.
Manifestações orais. A mandíbula
é hipoplásica na quase totalidade
dos casos. O ângulo da mandíbula
é mais obtuso que o normal e
os ramos da mesma podem ser hiperdesenvolvidos
ao estudo radiológico.
Os processos coronóide e condilóide
são achatados ou mesmo
aplásicos. A superfície inferior do
corpo da mandíbula é, geralmente,
muito cóncava.
A micrognatia é um achado freqüente
nos afetados. Outras manifestações
em -nível da cavidade
oral consistem em fenda palatina
em 30% dos casos, pálato ogival e
macrostomia uni ou bilateral. A
má oclusão dentária é freqüente
pela hipoplasia da mandíbula acrescida
de defeito no pálato (fendido,
alto ou arqueado). Os dentes podem
ser hipoplásicos e malposicionados.
Outras características facíais importantes
podem ser observadas
entre o pavilhão auricular e a comissura
oral. Sulcos faciais nessa
mesma região podem compor o aspecto
facial na síndrome além de
uma projeção apilosa que pode se
estender até a porção média da face.
Esta última característica é observada
em 25% dos.afetados.
Anormalidades ocasionais. Consistem
em: ausência da glândula parótida;
hipoplasia da faringe; coloboma
da pálpebra superior; microftalmia;
microstomia; cardiopatias
congênitas; malformações vertebrais
cervicais; criptorquidia. Atraso mental
e observado em 5 % dos afetados.
Etiología
A síndrome é de etiología genética,
de herança autossômica dominante
com grande penetrância(quase
100%) e expressividade muito variável.
Foram relatadas muitas famílias
com transmissão de afetados em diversas
gerações por vários autores
e em diferentes locais do mundo.
Mais de 50% dos casos surgem
como mutação nova, isto é, como
primeiro caso na família. Antes porém,
de diagnosticar um caso como
fruto de mutação nova, é necessário
examinar cuidadosamente os
membros de sua família buscando
especificamente os sinais mínimos
da síndrome. Na verdade, não é rãro
chegar-se ao diagnóstico de pai
(ou mãe) levemente afetado somente
após o nascirriento de uma criança
gravemente afetada.
O defeito básico na síndrome é
desconhecido. A maioria das estruturas
afetadas derivam do primeiro
arco, 'sulco ou bolsas branquiais.
A patogênese da síndrome foi discutida
do ponto de vista embriológico
por Poswillo7, Uma condição
autossômica recessiva análoga, observada
em coelhos, serviu como
modelo animal para investigações
dos mecanismos de desenvolvimento.
Diagnóstico
Na síndrome de Treacher Collins
o diagnóstico é clínico, baseado
nas características acima descritas.
Nos estudos radiológicos uma grande
variedade de achados pode ser
observada em nível do crânio, a saber:
desenvolvimento incompleto
de cristas supra-orbitárias, impressões
digitais aumentadas, hipoplasia
dos ossos malares com falta de fusão
dos arcos zigomáticos, mastóides
esclerosadas e com ausência
de pneumatização, esclerose do ouvido
médio (raramente do ouvido
interno) .com definição imperfeita
de suas ' estruturas, hipoplasia da
mandíbula, achatamento ou aplasia
da apófise coronóide e dos condilos
da mandíbula.
Diagnóstico diferencial
A síndrome de Treacher Collins
deve ser diferenciada da disostose
acrofacial ou síndrome de Nager
que afeta as extremidades superiores
além da face. Podem ser observados
agenesia ou hipoplasia dos
polegares, sinostose radiocubital,
agenesia ou hipoplasia do radio,
agenesia de um ou mais metacarpianos.
A síndrome de Nager é de herança
autossômica recessiva.
Outro diagnóstico diferencial importante
é a síndrome de Goldenhar
ou síndrome óculo-aurículovertebral.
Nesta, os afetados apresentam
microssomia hemifacial e
anomalias vertebrais. Há geralmente
coloboma de pálpebras superiores
e dermóides epipulbares como
anomalias oculares. Apêndices préauriculares
e atresia do canal auditivo
externo são também freqüentemente
observados nesta síndrome
cuja etiología mais aceita é de herança
multifatorial.
Tem ficado evidente que a disostose
mandíbulo-facial (sensu latú)
é, na verdade, um complexo sintomático
não específico que pode
ocorrer em diferentes condições,
sendo a mais comum, a síndrome
de Treacher Collins.
Diagnóstico pré-natal
O diagnóstico pré-natal por fetoscopia
foi realizado no segundo
trimestre em quatro gestações de
risco, na síndrome de Treacher Collins
(Nicolaides & Cois6). Foram observadas
anormalidades faciais em
dois dos fetos e o diagnóstico da
síndrome foi confirmado nos mesmos
após a interrupção gestacional.
Crane & Beaver1, em 1986, fizeram
o diagnóstico pré-natal da síndrome
através da ultra-sonografia.
Tratamento
Observa-se atraso mental em alguns
pacientes afetados pela síndrome.
Isto, porém, deve ser devido
a déficit auditivo importante. O reconhecimento
precoce da surdez
e sua correção com utilização de
prótese ou por cirurgia, quando
possível, é de grande importância
no desenvolvimento do afetado.
Alguns pacientes podem apresentar
problemas respiratórios precoces
por terem a passagem aérea estreitada.
Ocasionalmente, podem vir a
necessitar uma traqueostomia temporária.
O crescimento dos ossos da face,
na primeira infância e na préescola,
pode contribuir para certa
melhora cosmética nos afetados. A
cirurgia plástica pode melhorar
muito o aspecto da face e deve ser
considerada, assim como o tratamento
ortodôntico e o foniátrico.
A síndrome não é incomum e
crianças afetadas são encontradas
na maioria das escolas especiais para
surdos. O tempo médio de vida
do afetado não se altera, a menos
que coexistam malformações cardíacas
ou renais graves.
Summary
The autor discurs the clinical
manifestations, diagnoses and treatment
of the Treacher Collins Syndrome.
Referências
1. CRANE, J.P. & BEAVER, H.A. - Midtrimester sonographic
diagnosis of mandibulofacial dysostosis. Am.J.Med.
Genet. 25:251,1986.
2. FAZEN, I.E.; ELMORE, J. & NADLER, H.L. - Nandibulofacial
Dysostosis (Treacher Collins Syndrome). Am.J.Dis.
Child, 773:405, 1967.
3. FRANCESCHETTI, A. & kELIN, D. - The Mandibulofacial
dysostosis new hereditary syndrome. Acta Ophthalmol.
27:143,1949.
4. GORLIN, R.J.;PINDBORG, JJ. & COHEN, M.M.JR. -
Mandibulofacial Dysostosis. In GORLIN, R. J.; PINDBORG,
JJ. & COHEN, M.M.JR., eds. - Syndromes of the Head
and Neck. New York, Me Graw-Hill, 1976.
5. HERRING, S.W.; ROWLATT, V.F. & PRUZANSKY, S.
— Anatomical abnormalities in mandibulofacial dysostosis.
Am.J.Med.Genet. 3:255, 1979.
6. NICOLAIDS, K.H. et al. - Prenatal diagnosis of mandibulofacial
dysostosis. Prenat.Diag. 4: 201, 1984.
7. POSWILLO, D. — The pathogenesis of the Treacher
Collins Syndrome (Mandibulofacial dysostosis). British J.Oral
Surgery 73:1,1975.
8. TREACHER COLLINS, E. — Case with symmetrical congenital
notches in the outer part of each lower lid and defective
development of themalar bones. Trans. Ophthalmol.
Soe. V.K. 20:90,1900.
Aceito para publicação em
14 de março de 1991.
Endereço para correspondência
Instituto da Criança
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 647
São Paulo - SP
05403

CONVITE ATIVIDADES CREA LAUZANE 07/11

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

DOENÇA DA MEMBRANA HIALINA deficiencia de surfactante

DOENÇA DA MEMBRANA HIALINA Em 1959, mostrou-se pela primeira vez que a doença da membrana hialina ou síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido (SDR) era provocada pela deficiência de surfactante (1). Seguiram-se várias tentativas de produzir surfactantes que pudessem substituir a deficiente produção endógena, inicialmente sem sucesso.

A partir de 1972, Enhorning e Robertson iniciaram a trabalhar com extratos de surfactante retirados de coelhos adultos e administrados a filhotes prematuros, mostrando melhora significativa da mecânica pulmonar (2,3).

Desde que Fujiwara et al. (4) publicaram os primeiros resultados promissores da reposição de surfactante na SDR, esta terapia tornou-se prática rotineira em unidades que atendem recém-nascidos prematuros, tendo modificado completamente a história natural desta síndrome. Concomitantemente, grande interesse surgiu quanto a outras potenciais utilidades desta terapêutica em outras síndromes e doenças que envolvem disfunção do sistema surfactante.

A Doença da membrana hialina, cuja denominação atual é SÍNDROME
DO DESCONFORTO RESPIRATÓRIO, é uma desordem respiratória de
recém-nascidos PREMATUROS devida, primordialmente, à
deficiência das substâncias do sistema surfactante pulmonar e
caracterizada por insuficiência respiratória que pode se
iniciar ao nascimento e progredir
A incidência e gravidade dessa condição é maior à medida quanto
menor a idade gestacional e é mais grave no recém-nascido
masculino. RN de mães diabéticas ou aqueles asfixiados são de
maior risco para desenvolver a síndrome do desconforto
respiratório.
Os seguintes dados revelam a importância epidemiológica desse
problema de desenvolvimento associado ao nascimento prematuro.
· Enquanto aproximadamente 10% dos RN são pré-termo, a SDR
é complicação de aproximadamente 1% das gestações
· Ocorre em aproximadamente 50% dos RN entre 26 e 28
semanas e em aproximadamente 20-30% dos RN entre 30 e
31 semanas
· É o problema clínico mais comum de RNPT. Foi
diagnosticada em 41% das 1416 crianças com peso <>
da Rede brasileira de pesquisas neonatais nos anos de
1998-1999.
· É a causa mais frequente de morbi-mortalidade neonatal.
Dados brasileiros de 1995 apontavam a SDR como a causa
de 49% dos óbitos perinatais.
Nos últimos 15 a 30 anos, tem havido a possibilidade de
PREVENÇÃO E MANEJO MAIS EFICIENTES da SDR e da própria
prematuridade devido, principalmente, à
· ACELERAÇÃO FARMACOLÓGICA DA MATURIDADE DO PULMÃO FETAL
maior uso de corticosteróides neonatais
2
· MELHORIA NOS MÉTODOS DE ASSITÊNCIA VENTILATÓRIA
· e à TERAPIA DE REPOSIÇÃO DO SURFACTANTE PULMONAR.
· MELHORIA NA NUTRIÇÃO DO RN
Assim é que o uso farmacológico profilático de corticosteróides
no período pré-natal mostrou-se eficiente para a redução de até
50% da incidência da SDR em recém-nascidos prematuros por
induzir a maturação pulmonar quanto à síntese de surfactante
pulmonar, além de propiciar maior sobrevivência e menor
incidência de hemorragia intra-craniana (50%) em RNPT no
ambiente extra-uterino.
Após a introdução de esteróides antenatais, em meados da década
de 1970, houve redução de 30% na mortalidade de RNPT <>
Contribuiu para essa redução o desenvolvimento de técnicas de
ventilação artificial
Com a disponibilização comercial do surfactante exógeno, em
meados da década de 1980 e início da década de 1990 redução
adicional das taxas de mortalidade neonatal entre os prematuros
foi observada.
Entre nós, na UTI neonatal de RP a taxa de mortalidade neonatal
em RNPT<>
no ano de 2000. Apesar de também terem sido incorporadas outras
medidas no manejo dessas crianças, vários estudos controlados
também demonstram o impacto da introdução do uso de surfactante
na mortalidade neonatal.
No entanto, a entidade clássica da síndrome do desconforto
respiratório, como uma doença pulmonar conseqüente da
DEFICIÊNCIA DE SURFACTANTE PULMONAR está atualmente MUDANDO para
uma DOENÇA MUITO MAIS COMPLEXA do PULMÃO EM DESENVOLVIMENTO como
resultado da imaturidade extrema cada vez mais freqüente, o que
tem implicado em maiores desafios não somente com relação à SDR
3
mas também visando o entendimento e manejo dos inúmeros fatores
associados a essA E À PREVENÇÃO DE SUAS COMPLICAÇÕES.
Ainda, se por um lado RN muito doentes e muito imaturos estão
sobrevivendo, a incidência de complicações permanece
significante, sendo que freqüentemente é impossível determinar
se as complicações são devidas à
· SDR
· Ao tratamento ou
· À prematuridade associada.

MATERIAS ATUALIZADAS NORD E EURORDIS

  • NIH anuncia o financiamento para grandes Investigação das Doenças Raras
  • Os Institutos Nacionais de Saúde, hoje (5 de outubro), anunciou uma segunda fase de financiamento para a Rare Diseases Clinical Research Network (RDCRN). Fundos totalizando mais de R $ 117 milhões serão distribuídos ao longo dos próximos cinco anos para 19 consórcios de investigação e um Centro Coordenador de Gestão de Dados. Lançado originalmente em 2003, o RDCRN endereços de doenças raras, como um grupo e apoia estudos relacionados à história natural, epidemiologia, diagnóstico e tratamento de doenças raras. O RDCRN foi autorizado na legislação conhecida como a Rare Diseases Act de 2002, que ajudou a iniciar NORD. Patrocinadores da legislação que foram os senadores Edward Kennedy (D-MA) e Orrin Hatch (R-UT) e representantes Henry Waxman (D-CA) e John Shimkus (R-IL). Detalhes.
  • NORD e EURORDIS Sign Aliança Estratégica
  • NORD eo seu homólogo europeu, EURORDIS, assinaram um Memorando de Entendimento para unir forças em várias iniciativas importantes em nome de pessoas com doenças raras e suas famílias. A parceria vai incluir patrocínio compartilhado de um paciente em comunidade global, Dia das Doenças Raras, e advocacia e outras prioridades educacionais. Leia o press release.
  • Partners in Progress Cimeira Resumo agora disponível
  • Em maio, NORD organizou uma cimeira em Washington DC, na qual mais de 300 representantes de organizações de pacientes, o governo ea indústria discutidos os próximos passos para facilitar a investigação inovadora e de acesso dos doentes aos medicamentos órfãos. Um resumo do que o dia-forum longa já está disponível. Contato NORD para obter uma cópia, ou ler os detalhes versão online de vídeo. Ver NORD.
  • NORD Insta Action on Health Care Reform
  • Em cartas ao Congresso e ao presidente de Obama, NORD manifestou seu apoio à reforma dos cuidados de saúde, que proíbe as seguradoras de recusarem a cobertura como resultado de condições pré-existentes, elimina anual ou tampas de seguros vida, e inclui créditos fiscais e apoio de outros financiamentos diretos para garantir que todos possam dar cobertura. Para saber mais sobre a reforma dos cuidados de saúde, vá para www.healthreform.gov
  • Hemofilia Federation of America Estados Introduz presidente Obama
  • Nathan Wilkes, o pai de um filho com hemofilia, foi dada a oportunidade de compartilhar história de sua família em uma plataforma nacional. Nathan foi convidada a introduzir o presidente Obama durante uma reunião da Câmara Municipal em Grand Junction, no Colorado. Ele falou da sua família, suas preocupações com tampas de saúde seguro de vida, fez uma introdução e depois apertou a mão do presidente da nossa nação: Detalhes.
  • Apoiar reuniões PNH
  • NORD está hospedando uma série de encontros regionais de apoio aos doentes e famílias afetadas pela hemoglobinúria paroxística noturna (PNH). Detalhes de 3 de outubro reunião em Boston. Futuras reuniões estão previstas para San Antonio (Nov. 6-7).
  • O que é PNH? Power download apresentação Point.
  • Se você não tem Power Point no seu computador, você pode baixar um visualizador gratuito aqui.
  • Dia das Doenças Raras Pesquisas Hall da Fama
  • Laird Jackson, MD, foi procurar o de ilusória gene da síndrome de Cornelia Lange por mais de duas décadas quando ouviu falar de Ian Krantz, MD, do Hospital Infantil da Filadélfia. Leia sobre drs. Jackson e Krantz, e os outros cientistas pendentes nomeados para o Dia das Doenças Raras 2009 Investigação Hall of Fame.
  • We Salute Our Dia das Doenças Raras Parceiros!
  • Mais de 220 organizações, organismos e empresas assinaram em como Dia das Doenças Raras parceiros para promover a sensibilização para as doenças raras como uma questão de saúde pública para o mundo Dia das Doenças Raras em 28 de fevereiro. Eles fizeram um trabalho fantástico, e nós estendemos nossa gratidão a eles!
  • Através de seus esforços, a sensibilização foi suscitada em toda a nação através de eventos especiais, cartas ao editor, vídeos, notícias, e proclamações estado.
  • Ver lista de Dia das Doenças Raras parceiros aqui.
  • (Como se tornar um parceiro).
  • Dia das Doenças Raras Partner Spotlight
  • Doença linfangiomatose & Gorham's Alliance
  • Cada vez que você voltar para sua tela, você verá o logotipo para uma diferente Dia das Doenças Raras Partner. Estes logotipos são links. Encorajamos você a visitar os parceiros 'sites para aprender mais sobre eles e as doenças raras de especial interesse para eles.
  • Ver NORD 25 º Aniversário do vídeo Gala

sábado, 3 de outubro de 2009

Legionelose

A bactéria Legionella pneumophila causa a legionelose, uma forma de pneumonia "atípica", porém, grave. A pneumonia "típica", provocada pelo pneumococo (Streptococcus pneumoniae), é assim denominada porque responde bem à penicilina, mas não tão bem à tetraciclina, enquanto a pneumonia "atípica" responde à tetraciclina, mas não muito bem à penicilina. Pode-se contrair a legionelose ao se inalar gotículas de água que contêm as bactérias causadoras da doença. As bactérias podem ser transmitidas através de chuveiros, banheiras, torres de resfriamento, tanques de água quente e sistemas de ar condicionado de grandes construções. O L. pneumophila não é transmitida pelo contato pessoal. A doença foi assim chamada após um surto em um hotel na Filadélfia durante uma convenção da Legião Americana, em 1976. A doença causa febre, calafrios, tosse, dor muscular, cefaléia, fadiga, dor no peito e, às vezes, náuseas, vômitos e diarréia. Esses sintomas aparecem de 2 a 14 dias após a exposição à L. pneumophila. O ideal é tratar a doença com certos antibióticos (não penicilina) e a maioria das pessoas se recupera sem complicações, no entanto, em sua forma mais grave, especialmente em pessoas que já apresentam doença pulmonar, pode ser fatal. A febre de Pontiac é uma forma mais leve da legionelose, com sintomas semelhantes aos da gripe, que aparecem cerca de três a cinco dias após a exposição. Geralmente, a doença desaparece sozinha, sem necessidade de tratamento. As pessoas mais suscetíveis são as idosas e as que fumam, têm doença pulmonar ou problemas no sistema imunológico. Proteger-se da legionelose pode ser um tanto difícil, pois ela é transmitida pelo meio-ambiente e não de pessoa a pessoa, mas existem medidas preventivas que se pode adotar.
  • Fazer cuidadosamente uma desinfecção - matar as bactérias antes que elas contaminem a água é essencial. Se você usa chuveiro de uma academia ou de outros lugares onde a água é compartilhada e notar que a água ou as torneiras estão sujas, chame alguém. A L. pneumophila se desenvolve e cresce em água parada.
  • Informar-se antes - se estiver planejando se hospedar em um hotel ou fazer um cruzeiro (outros lugares perfeitos para surtos de legionelose), verifique se há casos recentes de doenças semelhantes à pneumonia. Verifique também a manutenção e a freqüência de limpeza do sistema de ar condicionado do local. O Occupational Safety and Health Administration (Agência de Administração da Saúde e Segurança Ocupacional) recomenda duas limpezas por ano nos sistemas grandes.
  • Não fumar - fumantes têm um risco maior de terem infecções pulmonares, como a legionelose.
Durante uma pneumonia, o tecido pulmonar de um ou dos dois pulmões fica inflamado e os microscópicos sacos de ar (alvéolos), ficam cheios de líquido. Vá para a próxima seção para saber mais sobre essa infecção respiratória.

Nanismo Primitivo -Doenças raras tambem celebram os milagres


Kenadie Jourdin-Bromley, conhecida ao redor do mundo como 'o pequeno anjo',
nasceu em fevereiro de 2003, pesando pouco mais de um quilograma e com 22 centímetros. À época, os médicos consideraram que ela não passaria da primeira noite.
Não foi o que aonteceu. Ela continuou desafiando a medicina e a todas as expectativas. Na idade de 8 meses, Kenadie foi finalmente diagnosticada como Nanismo Primitivo,
uma condição genética que afeta a somente 100 pessoas em todo o mundo.
Não se espera que ela cresça mais que 70 centímetros e que tenha mais que 5 quilos. O estado de Kenadie inspira cuidados constantes e da presença atuante e carinhosa dos pais Brianne Jourdin e Tribnal Bromley.
A menina está com 4 anos, adora passeios, corridas e começa a falar as suas primeiras palavras. Dizem que o mais impressionante é que as pessoas que de uma forma ou de outra tiveram em contato com a menina,
tem a suas vidas radicalmente mudadas por acreditarem que foram tocadas por um pequeno anjo com um enorme coração..
agora vê este video




Por Araújo, A. Ana Paula de
Nanismo primordial é considerado uma anomalia, pois é uma forma de nanismo atípica e muito rara. Este tipo de Nanismo pode ser percebido antes do nascimento, pois desde então a pessoa já apresenta um tamanho bem menor do que os demais fetos. Durante a sua vida permanece a diferença bem acentuada na estatura entre uma pessoa com esta anomalia e os demais indivíduos. O corpo da pessoa é completamente proporcional, mantendo portanto os pés e a cabeça proporcionais ao corpo, os indivíduos são, portanto, muito pequenos para a idade que possuem. A grande maioria das pessoas que possuem esta anomalia são diagnosticadas antes dos três anos de idade.
Geralmente as pessoas com nanismo primordial nascem com peso muito baixo, e até durante a gestação podem ser diagnosticados pelos médicos como tendo uma deficiência no seu crescimento. Durante a infância o crescimento continua atrasado e com peso baixo, o que faz com que estes indivíduos não acompanhem o ritmo de crescimento das outras crianças da sua idade em estatura e peso. Obviamente quando se tornam adultos esta diferença é ainda mais acentuada.
Existem cinco tipos de nanismo primordial, e estes são as formas mais graves de nanismo, dentre os 200 tipos diferentes da doença. A estimativa é que haja apenas 100 pessoas no mundo com esta anomalia. A estimativa de vida de uma pessoa com nanismo primordial é de cerca de 30 anos apenas, podendo ser ainda menor em caso de pessoas com nanismo microencefálico primordial, pois neste caso a pessoa corre maiores riscos de ter problemas vasculares.
Um dos casos mais conhecidos de nanismo primordial é o de Kenadie Jourdin-Bromley, uma menina que nasceu em fevereiro de 2003, pesando pouco mais de um quilograma e com 22 centímetros e ficou conhecida como ‘o pequeno anjo’. Kenadie foi considerada um milagre, pois os médicos não esperavam que ela pudesse sobreviver devido ao seu tamanho.
Kenadie foi diagnosticada como nanismo primitivo aos 8 meses de idade e a expectativa para o seu tamanho quando adulta é de até 70 centímetros e não mais que 5 quilos. Esta condição genética implica em cuidados constantes e logicamente do apoio e amor dos pais e familiares.
Kenadie sempre foi um desafio para a medicina e ciência de um modo geral. Até hoje tem vivido bem e conquista a simpatia de muitas pessoas mundo afora.
Fontes:
http://www.diarioinsano.com.br/2010/02/nanismo-primordial-uma-anomalia-rara.html
http://estudandoraras.blogspot.com/2009/10/nanismo-primitivo-doencas-raras-tambem.html

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ESFINGOLIPIDOSES

ESFINGOLIPIDOSES
  • São doenças de armazenamento raras e, na maioria, autossômicas recessivas.
  • Certas células acumulam esfingolípides no citoplasma, devido quase sempre à falta de uma enzima da via de degradação. Estas enzimas são chamadas genericamente de hidrolases, porque a quebra das ligações envolve uma molécula de água.
  • O substrato da enzima ausente ou defeituosa acumula-se, geralmente dentro de lisossomos, já que é nestas organelas que são encontradas as enzimas.
  • O citoplasma fica abarrotado de lisossomos contendo o lípide não digerido.
  • Para cada enzima que falta existe uma doença específica (às vezes mais de uma), com acúmulo de substâncias diferentes em órgãos diferentes, e com sintomatologia própria. Os locais mais afetados são o cérebro, muito rico nestes compostos, e as células do SRE. Abaixo, alguns exemplosGrupo de transtornos metabólicos hereditários caracterizados por deposição intra-lisossômica excessiva deglicoesfingolipídeos e fosfoesfingolipídeos no sistema nervoso central e, em um grau variado, em estruturas viscerais. Os sinais clínicos variam com o subtipo específico da doença, porém as características comuns incluem deterioração progressiva das funções visual e psicomotora. (Tradução livre do original: Arch Neurol 1998 Aug;55(8):1055-6; Menkes, Textbook of Child Neurology, 5th ed, p89)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

MUCOPOLISSACARIDOSE -FONTE GENZYME

Mucopolissacaridose Tipo I

Também chamada Doença de Hurler e Doença de Scheie

As Mucopolissacaridoses (MPS) são doenças metabólicas hereditárias causadas por erros inatos do metabolismo que determinam a diminuição da atividade de determinadas enzimas, que atuam numa estrutura da célula chamada lisossomo. As MPS fazem parte de um grupo chamado Doenças de Depósito Lisossômico.

O lisossomo

Nosso organismo é feito de células, milhões delas. As células se multiplicam, vivem e morrem diariamente, sendo assim constantemente renovadas. Quando uma célula morre, é imediatamente destruída e seus componentes são reutilizados pelo organismo.

Quando uma célula é destruída, seus componentes são fagocitados ("comidos") por outras células, chamadas macrófagos, que são parentes dos glóbulos brancos do sangue. Dentro dos macrófagos, o material da célula morta fica dentro de uma espécie de "bolha", chamada lisossomo. No lisossomo, a célula introduz enzimas, que são substâncias que "digerem" os restos celulares, quebrando substâncias grandes em partes menores, que podem ser reutilizadas.

As enzimas que agem nos lisossomos são fabricadas pela própria célula, seguindo uma "receita" que fica no núcleo: os genes. Se uma pessoa sofre alguma alteração em um gene, dizemos que ocorreu uma mutação. Quando ocorre uma mutação em um gene, a "receita" fica alterada e a enzima que é fabricada com base nesta receita alterada, geralmente não funciona.

As mucopolissacaridoses

Nas MPS ocorre deficiência ou falta de enzimas que digerem substâncias chamadas Glicosaminoglicanos (GAG), antigamente conhecidas como mucopolissacarides e que deram nome à doença.

Os GAG são moléculas formadas por açúcares, que se ligam a uma proteína central, absorvem grande quantidade de água, adquirem uma consistência mucóide, viscosa, o que garante a essa estrutura uma função lubrificante e de união entre os tecidos, permitindo por exemplo o movimento das articulações (juntas) do corpo. Quando os GAG não são digeridos corretamente, devido à deficiência de alguma enzima, eles ficam depositados no interior dos lisossomos e também são eliminados pela urina.

As manifestações clínicas das MPS variam de acordo com a enzima que está em falta no portador da doença e os tipos conhecidos podem ser vistos no Quadro 1.

Mecanismo de herança

A constituição genética de cada pessoa é determinada pelos genes que recebe do pai e da mãe, sendo exatamente metade de cada um. O sexo é determinado pela presença de dois cromossomos X nas mulheres (XX) e um X e um Y nos homens (XY).

Todas as características da aparência e do metabolismo da pessoa são determinadas pela constituição genética. Cada enzima do organismo é produzida a partir da informação contida em um ou mais pares de genes, que vieram do pai e da mãe.

Dos 30.000 pares de genes que cada pessoa possui, há alguns poucos com defeitos, mas que não determinam isoladamente nenhuma doença, pois como todos os genes são em pares, um normal compensa o outro com defeito. O problema acontece quando um homem e uma mulher carregam, por acaso, o mesmo gene com defeito e podem passá-los aos filhos levando ao aparecimento de doenças genéticas.

Nas MPS dos tipos I, III, IV, VI e VII, o pai e a mãe carregam obrigatoriamente um gene com defeito cada um. Os pais são normais porque só têm um gene com defeito, sendo o outro gene do par normal.

Vamos chamar o gene normal de “A” e o com defeito de “a”, o pai é Aa e a mãe também Aa, para aquela determinada enzima que não funciona direito na doença de seu filho ou filha. Toda vez que este casal for conceber um filho existem quatro possibilidades ao acaso, da constituição da criança, tendo uma chance entre as quatro, ou seja 25%, de ter um filho ou filha com a doença (aa), como pode ser observado na Figura 1. Esta forma de herança é chamada autossômica recessiva.

Na MPS do tipo II o gene com defeito é carregado em um dos cromossomos X da mãe que, como tem dois cromossomos X, o com defeito é anulado pelo outro normal. A mãe portadora do gene da doença tem uma chance de 50% de ter um filho com a doença e 50% de ter uma filha que também pode passar o gene aos seus filhos e filhas, como pode ser observado na Figura 2. Esta forma de herança é chamada ligada ao X.

Mucopolissacaridose Tipo I

A Mucopolissacaridose I (MPS I) é uma rara doença autossômica recessiva, com manifestações patológicas em múltiplos sistemas de órgãos e tecidos. A doença é causada por um defeito na codificação genética da enzima lisossômica α-L-iduronidase; em conseqüência disso, as células das pessoas afetadas não conseguem produzir a enzima ou a produzem em pequenas quantidades. Isto resulta em uma incapacidade do lisossomo efetuar a decomposição gradual de certos glicosaminoglicanos (GAG) - a saber, sulfato de dermatan e sulfato de heparan - um processo essencial para o crescimento normal e a homeostasia dos tecidos.1 Esses glicosaminoglicanos, que são constituintes importantes da matriz extracelular, líquido das juntas e tecido conetivo em todo o corpo, acumulam se progressivamente no lisossomo, finalmente causando a disfunção da célula, do tecido e do órgão por mecanismos fisiopatológicos em grande parte desconhecidos.

A MPS I é considerada uma disfunção no armazenamento prototípico lisossômico com doença multi-sistêmica progressiva e apresentando características que variam dependendo da posição do paciente no desenvolvimento da doença.

As classificações históricas de MPS I, síndromes de Hurler, Hurler-Scheie e Scheie não refletem adequadamente a enorme variação nos sintomas clínicos. As manifestações vistas com cada classificação não são mutuamente distintas e muitas vezes se superpõem. Portanto, a doença é melhor caracterizada como deficiência de α-L-iduronidase com ou sem o envolvimento de CNS.

Sintomas Iniciais de MPS I

0-6 meses:

Rinite crônica;

Otite média recorrente ou "infecção no ouvido médio";

Hérnia umbilical ou inguinal;

Crescimento e tamanho de cabeça acima do normal.

6 meses - 12 anos:

Dismorfismos faciais;

Hepatoesplenomegalia;

Deformidades esqueléticas;

Rigidez nas juntas;

Retardo no desenvolvimento;

Opacidade da córnea;

Rinite crônica;

Otite média recorrente ou "infecção no ouvido médio".

12+ anos:

Opacidade da córnea;

Rigidez nas juntas;

Doença cardíaca valvular.

Diagnóstico

O diagnóstico de MPS I depende de ser demonstrada uma deficiência da enzima lisossômica α-L-iduronidase. A atividade desta enzima pode ser medida na maior parte dos tecidos; contudo, o diagnóstico geralmente é feito com o uso de:

leucócitos sanguíneos periféricos,

cultura de fibroblastos,

soro,

plasma.

Os achados em MPS I podem se superpor àqueles de outras disfunções do armazenamento lisossômico, principalmente outras mucopolissacaridoses e deficiência de sulfatases múltiplas. Achados clínicos e testes bioquímicos detalhados são necessários para sua diferenciação. Há alguns sinais e sintomas clínicos iniciais que por si só não são diagnósticos, mas podem justificar testes mais definitivos. Embora os achados na apresentação variem com a gravidade da deficiência, é preciso que se suspeite de MPS I em pessoas com características faciais grosseiras e hepatoesplenomegalia, assim como achados característicos do esqueleto, das juntas ou oculares.

Seu médico de confiança poderá indicar-lhe um médico geneticista, que é o especialista no assunto. Outra alternativa é procurar um centro médico em genética clínica mais próximo de você.

Acompanhamento multidisciplinar

O paciente com diagnóstico de MPS deve preferencialmente contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar para que tenha um acompanhamento adequado às necessidades que a doença impõe.

Em razão das manifestações clínicas descritas em todos os tipos de MPS é importante o acompanhamento multidisciplinar, para prevenir e diagnosticar precocemente as complicações, que podem ser tratadas melhorando a qualidade de vida do portador de MPS e oferecendo apoio à família.

Geneticista clínico e neurologista

O acompanhamento periódico com intervalos de 4-6 meses, para controle do portador de MPS deve ser feito por geneticistas, pediatras ou clínicos gerais com especialização na área de erros inatos do metabolismo, que conheçam a evolução e as complicações possíveis da doença, para diagnosticar e encaminhar precocemente o paciente aos tratamentos necessários. Nos retornos os portadores de MPS devem receber avaliação clínica geral e neurológica, encaminhamentos para outras especialidades e pedidos de exames necessários ao seguimento.

Ortopedia e Radiologia

Pelo grande e progressivo comprometimento ósseo, o especialista deve ser consultado com intervalos regulares e no mínimo uma vez ao ano, se ainda não existirem alterações significativas. A realização de radiografias de coluna e ossos longos pelo menos uma vez ao ano é necessária para a avaliação de possíveis deformidades que, se diagnosticadas mais precocemente, podem ainda ser revertidas com posicionamento correto e fisioterapia específica.

Fisioterapia

Acompanhamento importante para a manutenção da qualidade de vida dos pacientes e para prevenir algumas complicações motoras e respiratórias (ver orientações). Nos pacientes que apresentam alterações de comportamento, principalmente os portadores de MPS III a eqüinoterapia (terapia na qual utiliza-se o convívio com os cavalos) tem se mostrado de grande ajuda.

Pneumologia/polissonografia

Devido à infiltração dos tecidos das vias aéreas superiores, a avaliação da capacidade pulmonar e polissonografia (que avalia a possibilidade de apnéia do sono estar interferindo na qualidade de vida do paciente) podem ser realizadas inicialmente uma vez ao ano e, caso indiquem algum tipo de intervenção, devem ser repetidas com uma freqüência específica em cada caso (ver orientações).

Otorrinolaringologia

A avaliação e procedimentos podem ser indicados e realizados por especialistas que tenham conhecimento da doença, pois em razão de suas peculiaridades, as cirurgias necessárias podem ser mais complicadas. Nesses casos, a anestesia geral é um procedimento de maior risco, principalmente pela dificuldade de entubação orotraqueal (devido à diminuição de espaço nas vias aéreas e pela chance de luxação atlanto-axial) que é necessária para manter as condições respiratórias durante qualquer procedimento cirúrgico.

Odontologia

Os cuidados devem ser mais intensos, pois com a hipertrofia das gengivas e prejuízo do esmalte dos dentes as chances de cáries e suas complicações são maiores (ver Orientações).

Fonoaudiologia

Avaliação da motricidade oral, da mastigação, deglutição e da fala, atenuando e prevenindo as complicações (vide orientações).

Psicologia

Apoio aos pais durante e após o diagnóstico para melhor compreensão das limitações do portador de MPS, evitando-se, porém, a super proteção e permitindo o desenvolvimento emocional. A psicoterapia aos portadores de MPS e/ou aos pais, com o objetivo de auxílio na superação das alterações que aconteceram na vida de ambos, em decorrência da doença, pode ser indicada quando necessária.

Cardiologia

Avaliação semestral, mas, se houver complicações, aumentar a freqüência de acordo com a necessidade. O ideal é que seja realizado o ecocardiograma a cada 6 meses. O médico é a pessoa adequada a orientar esse acompanhamento.

Oftalmologia

Além da existência de opacidade de córneas em alguns tipos, existem outras alterações correlacionadas, como a retinite pigmentar, disfunções retinianas, miopia e glaucoma. Assim o exame oftalmológico cuidadoso com lâmpada de fenda é aconselhável a cada 6 meses, a critério médico.

Neurocirurgia

O acompanhamento com este especialista pode ser indicado precocemente pelo médico que acompanha o paciente, quando notar alterações sugestivas da existência de hidrocefalia. A indicação de cirurgia deverá ser precisa e cuidadosa pelas dificuldades anestésicas já descritas, sendo também importante o acompanhamento por especialista que tenha experiência com MPS.

Recursos Adicionais

Os seguintes links são fornecidos como recursos adicionais de informações:

MPSIdisease.com foi criado para fornecer informações com relação a pacientes com MPS I, suas famílias, profissionais de saúde e de assistência médica. Aqui, você encontrará informações sobre a doença, programas de apoio e recursos on-line para administrar os desafios associados à MPS I. Conteúdo do site em inglês.

REFERÊNCIAS

1. Neufeld, E.F., e Muenzer, J. (2001) The mucopolysaccharidoses. In: The Metabolic and Molecular Bases of Inherited Disease. Scriver, C.R., Beaudet, A.L., Sly, W.S., Valle, D., Childs, B., Kinzler, K.W., e Vogelstein, B. (eds.). 8th edition, Vol. III. McGraw-Hill, Medical Publishing Division

Topo