AVISO IMPORTANTE

"As informações fornecidas são baseadas em artigos científicos publicados. Os resumos das doenças são criados por especialistas e submetidos a um processo de avaliação científica. Estes textos gerais podem não se aplicar a casos específicos, devido à grande variabilidade de expressão da doença. Algumas das informações podem parecer chocantes. É fundamental verificar se a informação fornecida é relevante ou não para um caso em concreto.

"A informação no Blog Estudandoraras é atualizada regularmente. Pode acontecer que novas descobertas feitas entre atualizações não apareçam ainda no resumo da doença. A data da última atualização é sempre indicada. Os profissionais são sempre incentivados a consultar as publicações mais recentes antes de tomarem alguma decisão baseada na informação fornecida.

"O Blog estudandoraras não pode ser responsabilizada pelo uso nocivo, incompleto ou errado da informação encontrada na base de dados da Orphanet.

O blog estudandoraras tem como objetivo disponibilizar informação a profissionais de cuidados de saúde, doentes e seus familiares, de forma a contribuir para o melhoramento do diagnóstico, cuidados e tratamento de doenças.

A informação no blog Estudandoraras não está destinada a substituir os cuidados de saúde prestados por profissionais.

sábado, 11 de maio de 2013

DIA INTERNACIONAL DO LUPUS - PARTICIPAÇÃO GEDR






Descrição
Chilblain lúpus E UMA forma cutânea não lúpus eritematoso sistêmico (LES; 152,700 ), 

caracterizada Pelo aparecimento de lesões papulosas UO nodulares Vermelho-azuladas, 
dolorosos da Pele los locais acral (incluíndo OS Aspectos dorsal dos Dedos das Mãos e dos pes, 
calcanhares, nariz , Bochechas, Orelhas, e, EM alguns Casos, joelhos) precipitada Pela Exposição 
AO Frio e Úmido (resumo PORLee-Kirsch et al., 2006). heterogeneidade genética de Lúpus 
perrnioso Veja também CHBL2 ( 614,415 ), causada POR UMA Mutação nenhum gene
SAMHD1 ( 606,754 ) não cromossoma 20q11. Mutações N º s de genes SAMHD1 TREX1 
e also Causam uma síndrome de Aicardi-Goutieres (AGS1, 225750 e AGS5,612952 , respectively).



Características Clínicas
Chilblain lúpus, UMA forma cutânea rara faça lúpus eritematoso sistêmico ( 152,700 ), 

FOI descrita Pela Primeira Vez POR JonathanHutchinson (1888) . Lee-Kirsch et al.(2006)
descreveu UMA Grande Família Alemã Localidade: Não consangüíneos, COM 18 Membros, 
Mais de 5 Gerações afetadas com chilblain lúpus. Os indivíduos afetados apresentavam lesões 
papular UO nodular Vermelho-azuladas, dolorosos da Pele los locais acral (incluíndo OS 
Aspectos dorsal dos Dedos das Mãos e dos pes, calcanhares, nariz, Bochechas, Orelhas, e, EM 
alguns Casos, joelhos) precipitadas POR Exposição AO Frio e Úmido um Temperaturas 
Inferiores a 10 graus centígrados. como Vezes UMA aparencia placa-Como FOI notado, e
 ulceração era comumente Visto. Apesar de ulceração profunda levou a Destruição Necrotica 
da Articulação distal fazer quinto dedo da Mão Esquerda não Paciente Indice nd idade de 15 
anos, como lesões geralmente curado SEM cicatrículas, como Vezes Deixando a Pele atrófica 
e alterações pigmentares. O aparecimento das lesões cutâneas FOI na infância , e, na maioria 
dos patients, como lesões tendem a melhorar Durante o Verão. Membranas mucosas e unhas 
Localidade: Não FORAM afetados, embora como lesões subungueal FORAM vistos como 
Vezes. Localidade: Não houve Fenômeno Associado Raynaud (Veja 179600 ) UO 
fotossensibilidade. Localidade: Não havia nenhuma Evidência Doença de Associado de 
QUALQUÉR Órgão interno (incluíndo o SNC), a Deficiência imunológica, OU malignidade. 
Artralgias afetou principalmente como Grandes Articulações, Como joelhos e ombros. 
Localidade: Não houve aumento da susceptibilidade à Infecção. Descobertas histológicas 
incluido hum profundo infiltrado inflamatório perivascular com Distribuição e Depósitos 
granulares de imunoglobulinas e complementar AO Longo da membrana basal. Alguns
 indivíduos afetados apresentaram anticorpos antinucleares UO Formação de Complexo imune, 
enquanto crioglobulinas UO aglutininas frias estavam ausentes. O Estudo da Família sugeriu UMA caracteristica 
Altamente penetrante, com Herança autossômica dominante. Chilblain lúpus ocorre predominantemente in Mulheres Adultas de e dez Sido raramente descrita
 in children. Antes do Relatório deLee-Kirsch et al. (2006) havia apenas UM relato de Familiares 
lupus chilblain, EM Dois Irmãos ( Weston e Morelli, 2000). Rice et al. (2007) relataram UMA 
Família de Bangladesh Localidade: Não consangüíneos los Opaco Dois Irmãos e Irmã FORAM
 UMA afetados, o pai tinha Sido igualmente afetados AO Longo de SUA vida, mas estava 
Localidade: Não Disponivel para o Estudo. O aparecimento da Doença na Bolsa de Liberdade
 de Informação na Primeira infância. Os patients apresentaram Doloroso inchaço 
Vermelho-azulada da Pele Que afeta principalmente OS Dedos, Orelhas, hélices e, 
ocasionalmente, o nariz. Conforme lesões induzidas FORAM POR Temperaturas frias e FORAM
 significativamente Pior nn Meses de inverno. Conforme lesões PODEM ulcerar, O Pai de e 
DOIS FILHOS FORAM afetados. n Homens afetados, como ulcerações levou a UMA perda de 
cartilagem da orelha e Destruição das Articulações interfalangianas proximais e distais dos PSA.
 Lesões ulcerativas curado, mas áreas de Pele atrófica e hipopigmentada Esquerda. 
Os anticorpos antinucleares FORAM intermitentemente levantada, e hum Paciente apresentou 
persistentemente Elevada taxa de sedimentação de eritrócitos.

Mapeamento
Por polimorfismo Análise de Ligação Genômica baseada (SNP) de nucleotídeo Único na 

Família descrita POR Ellis, Lee-Kirsch et al. (2006)mapeou hum lócus parágrafo chilblain 
lúpus 3p. Análise de haplotipos refinado o lócus parágrafo hum Intervalo de 13,8 cm nenhum 
cromossomo 3p21-p14, ladeado POR Marcadores rs704920 e D3S1300, com hum lod pontuação 
de 5.04.

Otras characteristics
O local, AO quali Lee-Kirsch et al. (2006)estabeleceu LigAção fazer fenótipo CHBL isolado 

Que se sobrepõe parcialmente o parágrafo Tipo 1 Síndrome de Aicardi-Goutieres ( 225.750). 
Conforme children afectadas com a síndrome de Aicardi-Goutieres sofrem de microcefalia 
progressiva e Disfunção cerebral túmulo Associada a calcificação dos gânglios basais, linfocitose
 chronic Elevada e interferon-alfa (Veja 147660 ) no Fluido espinhal. Alguns patients Tem 
Frieira-Como lesões Que se assemelham AOS Encontrados na Família relatado PORLee-Kirsch

 et al. (2006), Embora OS pais Localidade: Não afetados de Crianças com ESTA Desordem a

utossômica recessiva Localidade: Não mostram quaisquer Achados cutâneos. Síndrome de Aicardi-Goutieres TEM Sido sugerida parágrafo Ser UMA forma de lúpus eritematoso 
sistémico POR Causa dos Resultados de anticorpos antinucleares e hipocomplementemia ALÉM
 lúpus lesões da Pele los alguns patients. Portanto,Lee-Kirsch et al. (2006)sugeriram Que o 
lúpus Frieira e síndrome de Aicardi-Goutieres PODE serviços fenótipos alélicas Que representam 
Diferentes Espectros da MESMA Doença. Num grande fazer fenótipo Estudo Clínico e molecular
 da síndrome de Aicardi-Goutieres, Rice et ai.(2007) foi por elas e Ilustrado perniosas lesões los 
PACIENTES COM ESSE transtorno los Pacientes de 127 pedigrees. Lesões perrnioso FORAM 
relatados EM 43% DOS PACIENTES E FORAM Associados um Mutações los de Todos os 
quatro genes Aicardi-Goutieres causadores da síndrome: TREX1 ( 606,609 ), RNASEH2A 
( 606,034 ), RNASEH2B ( 610,326 ) e RNASEH2C ( 610,330 ). Conforme lesões FORAM 
geralmente situados N º s de pes, mas also POR Vezes afectada pelas Mãos e jante externa 
das Orelhas. Muitos pais relataram UMA Relação Direta com Temperaturas frias, com 
considerável Piora das lesões Durante OS Meses de inverno.

Genética Molecular
Rice et ai. (2007)descreveram UMA Mutação heterozigótica nenhum gene TREX1 

( 606.609,0005 ) EM Membros afetados de UMA Família com Lúpus perrnioso. In Membros 
afetados da Grande Família Alemã 5 Geração com Lúpus perrnioso Previamente descrito POR 
Lee-Kirsch et al. (2006) , Lee-Kirsch . et al (2007) identificou heterozigose parágrafo a Mutação
 missense no gene TREX1 (D18N; 606.609,0007 ). Em UMA Menina de 16 anos de idade, 
com relativamente leve síndrome de Aicardi-Goutieres ( 225.750 ), that was Negativo 
parágrafo uma Mutação los To Us Link genes conhecidos AGS, Haaxma et ai. (2010) 
identificaram heterozigosidade parágrafo o MESMO D18N Mutação nenhum gene TREX1 Que
 tinha Sido Previamente ENCONTRADO na Bolsa Alemã com lúpus Frieira POR Lee Kirsch et 
al. (2007) . Haaxma et ai. (2010 ) Localidade: Não tinha explicação par a forma Como a MESMA Mutação PODE causar os tais fenótipos distintos.

História
Pará UMA Revisão das OBSERVAÇÕES de Carreira e Clínicas de Hutchinson, Opaco Primeiro 

descreveu lupus chilblain, Consulte McKusick ( 1952 , 2005 ).

Referencias
1.Haaxma, CA, Crow, YJ, van Steensel, MAM, Lammens, MMY, Rice, GI, Verbeek, MM
, Willemsen, MAAP 
A de novo p.Asp18Asn Mutação não TREX1 los hum em paciente
 com síndrome de Aicardi-Goutieres. 
Am. J . Med. Chem. . Chem . Genet : 152A. 2612-2617, 2010 [PubMed: 20799324 , citações relacionadas ] [Texto completo: John
Wiley & Sons, Inc.
 ]

2.Hutchinson, J. Harveiano Palestras sobre o lúpus, a palestra III: sobre como
Varias Formas de lúpus eritematoso e vulgar. 
Brit. Med. Chem. J. 1:. 113-118, 1888[PubMed: 20752149 , citações relacionadas ]

3.Lee-Kirsch, MA, Chowdhury, D. Harvey, S., Gong, M., Senenko, L. Engel, K., Pfeiffer,
C., Hollis, T., Gahr, M., Perrino, FW, Lieberman, J. Hubner, N. 
Uma Mutação não
TREX1 Que prejudica a susceptibilidade a granzima A mediadas subjaz morte
celular familiarizado lúpus Frieira. 
J. Moleca. Med. Chem. 85:. 531-537, 2007 [PubMed:17440703 , citações relacionadas ] [Texto Completo: Springer ]

4.Lee-Kirsch, MA, Gong, M., Chowdhury, D., Senenko, L. Engel, K. Lee, Y.-A., de
Silva, U., Bailey, SL, Witte, T., Vyse, TJ ., Kere, J., Pfeiffer, C., de e OUTRAS 12 PESSOAS
Mutações no gene Opaco codifica a DNA 3-prime-5-prime TREX1 exonuclease
estao Associados com lupus eritematoso sistêmico. 
Nature Genet. 39:. 1065-1067,
2007
[PubMed: 17660818 , citações relacionadas ] [Texto Completo: Nature Publishing Group ]

5.Lee-Kirsch, MA, Gong, M. Schulz, H., Ruschendorf, F., Stein, A., Pfeiffer, C., Ballarini
, A., Gahr, M., Hubner, N., Linne, M. 
lúpus chilblain familiar, UMA forma
monogênica de lúpus eritematoso cutâneo, mapeia parágrafo cromossomo 3p. 
Am. J. Hum. Genet. 79:. 731-737, 2006 [PubMed: 16960810 , IMAGENS , citações
relacionadas
 ] [Texto Completo: Elsevier Science ]

6.McKusick, VA Como OBSERVAÇÕES Clínicas de Jonathan Hutchinson. Am. J. Syph.
36: 101-126, 1952. [PubMed: 14903422 , citações relacionadas ]

7.McKusick, VA O Gordon Wilson palestra: o Legado Clínico de Jonathan
Hutchinson (1828-1913): syndromology e dismorfologia atender Genômica. 
Trans. Sou. Clin.Climatol. Assoc. 116: 15-38, 2005. [PubMed: 16555603 , IMAGENS , citações
relacionadas
 ]

8.Rice, G., Newman, WG, Dean, J., Patrick, T., Parmar, R., Flintoff, K., Robins, P., Harvey,
S., Hollis, T., O'Hara, A. , Herrick, AL, Bowden, AP, Perrino, FW, Lindahl, T., Barnes,
DE, Crow, YJ 
Mutações heterozigóticas los TREX1 Causa familiarizado chilblain
lúpus e síndrome de Aicardi-Goutieres dominante. 
Am. J. Hum. Genet. 80:. 811-815
, 2007 
[PubMed: 17357087 , IMAGENS , citações relacionadas ] [Texto Completo: Elsevier
Science
 ]

9.Rice, G., Patrick, T., Parmar, R. Taylor, CF, Aeby, A., Aicardi, J., Artuch, R., Montalto, SA,
Bacino, CA, Barroso, B., Baxter, P. , Benko, WS, E 106 To Us Link. 
fenótipo Clínico e
molecular da síndrome de Aicardi-Goutieres. 
Am. J. Hum. Genet. 81:. 713-725, 2007 [PubMed: 17846997 , IMAGENS , citações relacionadas ] [Texto Completo: Elsevier Science ]

10.Weston, WL, Morelli, JG Infância pernio e crioproteínas. Pediat. Derm. 17:. 97-99, 2000
 
[PubMed: 10792795 , citações relacionadas ] [Texto Completo: Blackwell Publishing ]

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Pênfigo foliáceo (PF)




Pênfigo foliáceo (PF) é uma doença auto-imune caracterizada por bolhas e
erosões na pele e por auto-anticorpos patogênicos, com especificidade para moléculas
da epiderme. Apresenta características epidemiológicas distintas em certas regiões do
Brasil (onde também é conhecido como fogo selvagem) e em outros países da América
do Sul, assim como na Tunísia, entre as quais a mais peculiar é a sua elevada
prevalência. As causas do PF são ainda desconhecidas. Sabe-se que vários fatores
estão envolvidos na sua patogênese, entre eles, fatores genéticos. O presente trabalho
teve por objetivo analisar se variantes de genes de apoptose contribuem para a
susceptibilidade ao PF, uma vez que alterações dos mecanismos da apoptose podem
contribuir para o início de uma doença autoimune, através de falhas na eliminação de
linfócitos autorreativos, ou então durante a fase efetora da doença, através de danos a
tecidos-alvo. O receptor Fas (produto do gene FAS) é um agente indutor da apoptose
ao interagir com seu ligante (FasL). O produto gênico de TP53 tem importante papel
na detecção de danos no material genético e indução da apoptose, caso o reparo desses
danos não seja possível. Já a proteína codificada pelo gene BAX, é uma importante
mediadora da apoptose por promover o aumento da permeabilidade das membranas da
mitocôndria, permitindo a liberação do citocromo C e conseqüente ativação de
caspases efetoras, que levarão à morte celular. Este estudo reuniu um total de 238
pacientes e 358 controles. A maioria dos pacientes foi recrutada em Campo Grande,
MS. As tipagens foram realizadas através das técnicas PCR-RFLP ou PCR-SSOP. Não
foram encontradas associações entre PF e os SNPs FAS –1377(G,A) e –670(G,A),
TP53 12139(G,C) e BAX –248(G,A). As freqüências alélicas dos SNPs analisados
neste estudo foram: BAX -248*A 6,4% e 8,9%; TP53 12139*C 30,7% e 38,0%, em
euro e afro-brasileiros, respectivamente. Para o gene FAS foi analisado apenas o
subgrupo de euro-brasileiros e as freqüências alélicas foram: FAS -1377*A 9,9% e
FAS -670*A 44,9%. Foram realizadas análises de interação entre os SNPs dos genes
BAX, FAS e TP53 e também de cada um desses com os SNPs IL4 -590 e IL6 –174,
além de HLA-DRB1, para os quais já haviam sido encontradas associações positivas ou
negativas, em estudos realizados anteriormente por nosso grupo. As diferenças
significantes entre pacientes e controles deveram-se, exclusivamente, às associações
com variantes dos genes IL4, IL6 e HLA-DRB1, estando em concordância com os
resultados obtidos nos estudos anteriores. Por fim, os resultados deste estudo levam nos a concluir que as variantes genéticas analisadas não alteram a funcionalidade dos
produtos gênicos de forma a interferir no curso da doença

Pênfigo foliáceo endêmico (PFE) é uma doença autoimune caracterizada por
bolhas e erosões na pele, provocadas por auto-anticorpos patogênicos com 2
especificidade para moléculas componentes da epiderme. Apesar de possuir ocorrência
mundial, é encontrada em maior freqüência na América do Sul. Possui alta prevalência
em várias áreas rurais do Brasil, onde casos familiares são mais freqüentes. Acomete
principalmente adultos jovens e crianças. O PFE é uma doença de causa ainda
desconhecida. Sabe-se que vários fatores estão envolvidos na sua patogênese, entre
eles fatores ambientais e genéticos.

Pênfigo foliáceo (PF) é uma dermatose bolhosa autoimune, caracterizada pela
presença de autoanticorpos antiepidérmicos que reconhecem uma glicoproteína
componente do desmossoma conhecida como Dsg1 (JONES e cols., 1984). Sua causa
é ainda desconhecida, sendo encontrado na forma esporádica ou endêmica. A primeira
ocorre na América do Norte, Europa e em áreas não endêmicas da América do Sul. Na
França, a incidência de casos é 1-2 x 10-6 casos por ano, sendo 80% destes pênfigo
vulgar. A proporção sexual de mulheres/homens afetados é 2:1 (BASTUJI-GARIN e
cols., 1995). A forma endêmica é encontrada principalmente na América Latina (Brasil
e Colômbia) e na Tunísia, e aparentemente difere da forma esporádica apenas pelas
suas características epidemiológicas. É interessante notar que as características
epidemiológicas da forma endêmica diferem, entre regiões. Na Tunísia a incidência é
6-7 x 10-6 casos por ano, dos quais 61% são PF. A proporção sexual de
mulheres:homens afetados é 4:1. A incidência de casos entre mulheres de 20-34 anos é
20 x 10-6 / ano (BASTUJI-GARIN e cols., 1995). No Brasil, atualmente, a incidência
de casos é cerca de 25-35 x 10-6 / ano, com proporção sexual de 1:1 (DIAZ e cols.,
1989a).
 As formas esporádica e endêmica possuem características clínicas,
histológicas e imunológicas semelhantes. Devido a maior ocorrência de PF na América
do Sul e, sobretudo, no Brasil, durante um certo tempo essa doença foi conhecida
como pênfigo foliáceo sul-americano e pênfigo foliáceo brasileiro. A partir do final da
década de 1980, a doença passou a ser chamada de pênfigo foliáceo endêmico (PFE).
Essa designação reflete com mais precisão sua principal característica diferencial – a
endemicidade (CAMPBELL e cols., 2001). Assim, o PFE é a única doença, das 9
conhecidas atualmente, que possui característica autoimune e, ao mesmo tempo,
endêmica.
Também conhecido como fogo selvagem (FS), no Brasil, o PFE é endêmico
em certos estados do Brasil como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas
Gerais, São Paulo e Paraná, onde mais de 15.000 casos foram registrados até 1982
(DIAZ e cols., 1989a). O primeiro caso documentado de FS no Brasil foi citado por
Aranha Campos. Ele descreveu dois casos de FS que apareceram no interior de São
Paulo na região de Franca na segunda metade do século 19 (HANS-FILHO e cols.,
1999). Com o aumento significativo do número de casos de FS, pacientes não tinham
onde serem hospitalizados. Foram construídos hospitais especializados que se
dedicavam ao estudo e tratamento da doença, nos estados que apresentavam maior
número de pacientes. O primeiro, Hospital Adhemar de Barros, foi inaugurado em
1940. Localizado em São Paulo (SP), dedicava-se especialmente a tratar e reabilitar
pacientes, além de se dedicar à pesquisa da doença. Depois, foi criado o Hospital do
Pênfigo de Goiânia (GO) em 1952, seguido pelo Hospital Adventista do Pênfigo em
Campo Grande (MS) (LOMBARDI e cols., 1992). Este último é o único centro de
referência para o tratamento da doença atualmente, atendendo pacientes de vários
estados brasileiros e de países vizinhos. Os demais hospitais expandiram suas funções
com a diminuição da endemia a partir da década de 70.
O pênfigo foliáceo ocorre em regiões com altitude entre 500 a 800 metros,
sendo extremamente raro nas regiões abaixo de 400 metros ou acima de 1000 metros
(LOMBARDI e cols., 1992). Foi observado que a forma endêmica acomete
principalmente adultos jovens e crianças, de qualquer etnia ou sexo, que vivam ou
trabalhem em áreas rurais endêmicas do Brasil e principalmente, próximas a rios
(CAMPBELL e cols., 2001).
Foi observada prevalência particularmente elevada em algumas tribos
indígenas brasileiras, tais como Xavantes, Terenas, Kadiwéo, entre outras. MORAES e
cols. (1997) encontraram 2,62% de prevalência da doença em uma tribo de índios
Terena no Mato Grosso do Sul. Em Xavantes a prevalência é de 1,4% (HANS-FILHO
e cols., 1996). Estes pacientes indígenas possuíam perfil semelhante ao de outros focos 10
endêmicos, tais como habitações humildes e rústicas, e poucos recursos sócioeconômicos. Porém este quadro encontrava-se agravado pelas características de vida
dos índios, que necessitam do campo para sua subsistência, estando bastante expostos
à incidência de raios ultravioleta (CAMPBELL e cols., 2001).
A partir da segunda metade da década de 1970, ocorreu redução da endemia,
que praticamente desapareceu em focos importantes, como São Paulo e norte do
Paraná. Na região Centro-Oeste ocorreu estabilização em níveis bem menos
significativos. Iniciou-se a fase de declínio da endemia e estabilização de focos que se
estende até hoje. CHIOSSI e cols. (2001) realizaram um levantamento do número de
casos de PFE ocorridos entre 1973 e 1998 na região noroeste do estado de São Paulo, e
verificaram que a incidência da doença é de 9,4 casos por ano, sendo 46,9% dos
indivíduos afetados residentes em áreas rurais. Assim, a história epidemiológica do FS
mostra ascensão seguida de queda da endemia, que segue trajetória coincidente com o
desbravamento e ocupação de regiões do território brasileiro (CAMPBELL e cols.,
2001).
2.4.2 Etiologia
Sua endemicidade tem gerado suspeitas de que algum fator ambiental esteja
contribuindo para a patogênese da doença. As atenções se voltaram para a presença de
mosquitos “borrachudos” nos focos da doença. Estes insetos hematófagos,
pertencentes a família Simuliidae, vêm promovendo discussões desde a década de 40,
de que o fator desencadeante do pênfigo possa ser um vírus ou alguma substancia
salivar do animal, transmitida durante a picada (DIAZ e cols., 1989b; LOMBARDI e
cols., 1992). Um estudo caso-controle epidemiológico comparou um grupo de 52
pacientes com FS com um outro grupo de 52 pacientes portadores de outras
dermatoses, e através de questionários, foi realizado um levantamento dos fatores de
riscos ambientais aos quais estes pacientes foram expostos durante um período de
cinco anos. O único fator de risco que apresentou OR estatisticamente diferente de um
foi a picada de simulídeos (OR= 4,7; P< 0,001) (LOMBARDI e cols., 1992). Um 11
levantamento realizado em 1998, na reserva de Limão Verde (MS) e áreas vizinhas,
caracterizou a distribuição de nove espécies de Simulium em regiões que possuem ou
não focos da doença. Apenas a espécie Simulium nigrimanum apresenta habitat
coincidente com as áreas endêmicas, estando em maior abundância quando comparada
com as outras espécies residentes nessas mesmas áreas (EATON e cols., 1998).
Outros aspectos exógenos, tais como fatores nutricionais e ambientais
propriamente ditos podem estar contribuindo para a etiologia da doença. Foi proposto
que o grupo tiol, presente em alimentos e na água, poderia ser um dos fatores
desencadeante do pênfigo (BRENNER e WOLF, 1994 ; apud PAVONI, 2000). O tiol
pode ser encontrado em alimentos tais como o alho, a cebola e o alho-poró. O fenol,
presente em alimentos como a manga, a castanha de caju, a mandioca e o guaraná,
também foi apontado por TUR e BRENNER (1997, 1998) como candidato a contribuir
para a indução do pênfigo. A análise da água consumida nas regiões endêmicas
indicou a presença de taninos (polifenóis). Quando ocorrem cheias, o tanino das
regiões ribeirinhas estaria sendo lixiviado. BRENNER (1999) propôs que a exposição
combinada a todos esses agentes poderia estar influenciando na indução à doença.
Além das variáveis ambientais descritas acima, vários outros fatores podem
estar envolvidos na patogênese da doença. Nem todos os indivíduos de uma região
endêmica desenvolvem o pênfigo foliáceo, levantando-se a hipótese de que a doença
possa estar relacionada a uma combinação de fatores incomuns, que ainda podem estar
ocorrendo em baixa freqüência no meio. Sugere-se a existência de fatores endógenos,
inclusive genéticos. Sabe-se que o genótipo é importante na susceptibilidade à maioria
das doenças autoimunes. No caso de pênfigo, verifica-se isso através da alta freqüência
de casos da doença entre indivíduos da mesma família que apresentem vínculo
genético entre si.
O FS é provocado por auto-anticorpos específicos para a epiderme,
responsáveis pelo fenômeno de acantólise. No pênfigo foliáceo, a acantólise ocorre nas
células epidérmicas mais superficiais (camada subcórnea), com o envolvimento raro
de mucosas (COUNTER, 1959). A acantólise implica a dissolução ou lise das junções
intercelulares do epitélio escamoso. As células epiteliais, sem as junções que as 12
mantinham unidas, perdem sua forma poliédrica, tornando-se arredondadas. O espaço
formado entre as células provoca a formação de bolhas intraepidérmicas.
O soro de pacientes com pênfigo foliáceo contém auto-anticorpos do tipo
imunoglobulina G (IgG). Podem ser detectados no soro pela técnica da
imunofluorescência indireta (IFI), e seus níveis correlacionam-se com a extensão e
atividade da doença. Estes auto-anticorpos do FS reagem contra uma glicoproteína de
superfície, sintetizada pelos queratinócitos, denominada desmogleína 1 (Dsg1). Esta é
uma glicoproteína transmembrânica, com uma região intracelular e outra extracelular
(Figura 1). Pertence à família das caderinas, tendo importante função no processo de
adesão celular (CAMPBELL e cols., 2001). Indivíduos doentes perdem a tolerância a
esse antígeno epidérmico.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

SÍNDROME DE NAGALI


Síndrome de Nagali: a ausência de impressões digitais








A dificuldade em segurar objetos tais como copos e talheres e de virar páginas, por exemplo, é uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos portadores da Síndrome de Nagali. Isso porque eles não possuem digitais, que são aquelas "linhas" que existem nas palmas das mãos e dos pés e é justamente através dessas "linhas" chamadas de dobras cutâneas, que somos identificados como um ser único. Mas e quem não as tem?

Em 2007, cerca de 3 mil pessoas no mundo eram portadoras da Síndrome de Nagali, doença raríssima onde a probabilidade de alguém nascer com ela é de 1 em cada 3 milhões de nascidos. E é justamente por ser tão incomum, que pouco se conhece sobre ela. O que se sabe, é que durante a gestação, o feto apresenta um defeito genético raríssimo que impede a formação das digitais, logo, é impossível que alguém possa adquirir a Síndrome de Nagali, depois de algum tempo. Segundo José Eduardo Márcico, Papiloscopista Policial da Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo, com formação em Processamento de Dados pela FATEC, "não podemos confundir Síndrome de Nagali com remoção das digitais por meio físico ou químico."

Há casos, mais comuns, de pessoas que perdem as temporariamente as digitais após algum tempo, mas na maioria dos casos é uma perda parcial ou reversível que acomete algumas pessoas, principalmente quem trabalha com produtos abrasivos, sem usar a devida proteção. Os trabalhadores de colheitas de frutas cítricas e pedreiros, por exemplo, são os casos mais comuns desse tipo. Isso se deve principalmente devido ao sumo produzido nas cascas das frutas cítricas e pela corrosão provocada pelo cimento e/ou cal, usado nos canteiros de obras. Mas nos dois casos, a perda acomete principalmente em quem possui pele fina ou digital "rasa". Isso não significa que ao pegar uma laranja, por exemplo, você corre o risco de ficar sem as suas digitais.

"Algumas doenças não congênitas podem vir a corroer as papilas dérmicas, entretanto se não causarem cicatrizes graves, as digitais poderão voltar da forma original. Portanto, são muitos os fatores que levam a perda "temporária" das digitais, mas que não têm nada a ver com a Síndrome de Nagali." relatou Márcico.

Mas além de tudo o que já foi dito, a síndrome também possui outras implicações, tais como unhas, dentes e cabelos frágeis, que correm um maior risco de caírem espontaneamente além de manchas marrons irregulares pelo corpo, no entanto, tais sintomas não são universais e variam de indivíduo para indivíduo. Não há cura e as chances do surgimento de novas digitais após algum tempo, são quase nulas.

"A identificação do indivíduo geralmente se dá pelos dedos maiores dos pés. Em caso de perda total, é usada a arcada dentária, como ocorre em acidentes graves. Os dispositivos eletrônicos de reconhecimento do formato do rosto e da íris (únicos em cada pessoa) são as alternativas mais viáveis", explica Carlos Roberto Antônio, dermatologista da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, SP.

Infelizmente, os portadores dessa síndrome ainda sofrem com a falta de informação das autoridades e de empresários, principalmente na obtenção de documentos oficiais e nos processos de seleção de empregos. Eles não querem piedade ou tratamento diferenciado. Querem apenas ser reconhecidos como pessoas normais, que não têm digitais, mas possuem muita dignidade e coragem para seguir adiante
.

DIA MUNDIAL DA MUCOPOLISSACARIDOSE


DIA ESTADUAL MIASTENIA GRAVE