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segunda-feira, 5 de março de 2012

No Dia Mundial das Doenças Raras, sociedade médica alerta para falta de especialistas


Data "rara", que se repete apenas de quatro em quatro anos, foi escolhida propositalmente para informar a população sobre doenças genéticas incomuns

Pelo menos uma vez por mês, a paranaense Bénie Bussmann, 37 anos, precisa ser hospitalizada. O quadro é dores intensas no abdômen e nas costas, além de náuseas. Os remédios aliviam os sintomas, mas não evitam novas crises. Essa rotina já dura cinco anos. Bénie é uma das brasileiras que sofrem de porfiria aguda, uma doença hereditária rara causada pela deficiência de uma enzima relacionada à hemoglobina.

Bénie sofreu a primeira crise de porfiria aos 15 anos. Porém, o diagnóstico só foi confirmado há oito anos. Não se sabe ao certo quantas pessoas no mundo têm porfiria. Acredita-se que uma a cinco pessoas em cada 100 mil habitantes podem desenvolver algum tipo do distúrbio metabólico. No Brasil, a estimativa varia de 1,9 mil a 9,5 mil pessoas.

A subnotificação e o fato de não afetar tantas pessoas em comparação a outras enfermidades levam as doenças raras a serem desconhecidas até mesmo dos próprios médicos, resultando no diagnóstico tardio ou equivocado. Em alguns casos, pode demorar 20 anos para a constatação de que uma pessoa sofre de doença rara. Em uma das crises, Bénie conta que a dor era tão intensa que um médico queria submetê-la a uma cirurgia. 

Ela convive com a falta de energia para fazer várias atividades e tem de tomar constantemente remédios para controlar as dores. Nos momentos mais críticos, precisa ficar internada por vários dias, afastada do trabalho de pedagoga na rede pública de ensino em Curitiba. Além das dores, ainda tem de lidar com o preconceito em relação à doença. 

— Uma vez, uma colega deu uma indireta de que eu não iria trabalhar só por causa de uma dor na barriga — conta Bénie, que é vice-presidenta da Associação Brasileira de Porfiria.

Faltam especialistas para o tratamento
Apesar de o governo brasileiro ter criado a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica em 2009, o país tem registrado poucos avanços na área. É o alerta do presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Marcial Francis Galera, em entrevista concedida à Agência Brasil, por ocasião do Dia Mundial das Doenças Raras, lembrado nesta quarta-feira, 29 de fevereiro. Sim, a data "rara", que se repete a cada quatro anos, foi escolhida propositalmente. Nos anos não bissextos, as atividades são transferidas para o dia 28.

Conforme levantamento da associação, o Brasil tem cerca de 150 profissionais especializados em doenças raras e 80% delas têm origem genética. O cálculo é que o país precisa de pelo menos o dobro de especialistas. Para Galera, há certa "acomodação" por parte do governo, já que a maioria dos pacientes com algum tipo de doença rara só consegue atendimento em hospitais universitários. A verba utilizada para atender os casos é proveniente de investimentos em projetos de pesquisa.

Dados da associação mostram que os atendimentos a pacientes com doenças raras se concentram nas regiões Sul e Sudeste, sobretudo no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e em São Paulo. Outro problema, de acordo com Galera, é que poucos estudantes se interessam por uma especilização na área de genética clínica, já que não há estímulo por parte do governo. 

Não há dados oficiais sobre o número de brasileiros atingidos por algum tipo de doença rara. A estimativa da associação é que entre 3% e 5% da população nasçam com algum tipo de problema genético. Há ainda a chance de que algo seja diagnosticado ao longo da vida adulta, o que eleva o índice para quase 10%, totalizando entre 15 e 20 milhões de pessoas que precisam do auxílio de um geneticista.

— As autoridades devem se conscientizar da importância desse problema. No conjunto, essas pessoas formam uma grande parcela da população — ressaltou Galera.

Muitos garantem acesso a medicamentos na Justiça
Para ter acesso à medicação, muitos pacientes têm recorrido à Justiça. Apenas em 2011, o Ministério da Saúde desembolsou R$ 167 milhões para atender a 433 ações judiciais que determinavam a compra de remédios para pessoas com doenças raras.

A Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica foi lançada com o objetivo de criar uma rede de assistência a pessoas com doenças raras, inclusive com centros de aconselhamento genético. Segundo o Ministério da Saúde, o entrave é que existem 5 mil alterações genéticas que podem levar à ocorrência dessas doenças. A maior parte delas não tem cura e nem tratamento com eficácia comprovada, e os remédios servem para amenizar os sintomas, segundo a pasta.

O Ministério da Saúde informou que vem avançando na elaboração de diretrizes para o diagnóstico, o atendimento e o tratamento das pessoas com doenças raras. O Sistema Único de Saúde (SUS) conta atualmente com cerca de 26 protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas — 18 deles foram publicados nos últimos dois anos e envolvem a oferta de medicamentos e de tratamentos cirúrgico e clínico para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Caminhada mobiliza para o Dia das Doenças Raras


Caminhada mobiliza para o Dia das Doenças Raras


Marina Franco - Planeta Sustentável - 23/02/2012

O GEDR - Grupo de Estudos de Doenças Raras e a Secretaria Municipal 

da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo 

promoverão, no dia 26 de fevereiro, a 3ª Caminhada de Apoio ao Paciente 

de Doenças Raras. A atividade gratuita reunirá seus participantes no Parque 

Trianon e seguirá para o Parque Mario Covas, ambos na avenida Paulista.

A caminhada faz parte da comemoração do Dia Mundial de Doenças Raras, 

que é celebrado no dia 29 de fevereiro em mais de 25 países. No Parque 

Mario Covas será realizado um ciclo de palestras com especialistas que 

falarão sobre diferentes doenças, como a Doença de Pompe, a MPS - 

Mucopolissacaridose, a Doença de Fabry e a Gaucher.

Participarão do ciclo de palestras:
- Dr. Fernando Proença, médico pesquisador e Superintendente do Centro 

de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim e ex-secretário municipal de Saúde 

de São Paulo;
- Dr. Acari Souza Bulle Oliveira, médico pesquisador e diretor do setor de 

investigação de Doenças Neuromusculares da UNIFESP;

- Dra. Juliana Sallum, médica oftalmologista, geneticista e pesquisadora da 

UNIFESP;
- Dra. Cecília Micheletti, médica pediatra, geneticista e pesquisadora da 

UNIFESP, delegada brasileira da Fundação GEISER - Grupo de Enlace, 

Investigación y Soporte de Enfermidades Raras de Latinoamérica, e
- Prof. Dr. Rubens Belfort Jr, médico oftalmologista professor da UNIFESP - 

Hospital São Paulo e presidente da SPDM - Associação Paulista para o 

Desenvolvimento da Medicina.

Além disso, por volta de 30 entidades que trabalham com enfermidades raras 

estarão presentes no local, promovendo informação e atividades para 

crianças. Também haverá programações locais em Mauá (dia 25/02), Brasília 

(29/02), Rio de Janeiro (29/02), e Viçosa-MG (03/03).

De acordo com dados da organização do evento, estima-se que de 6% a 8% 

da população mundial seja portadora de doenças raras, sendo que no Brasil a 

população infectada é de 11 a 14 milhões. 80% das cerca de 8 mil 

enfermidades raras conhecidas são de origem genética e 75% atinge 

crianças.

3ª Caminhada das Doenças Raras da Cidade de São Paulo

Data e Horário: 26/02, 10h às 16h

Local: Parque Trianon ao Mário Covas - Avenida Paulista, 1.853. São Paulo/SP

Dificuldade no diagnóstico e acesso a tratamentos são temas de seminário sobre doenças raras no Rio


Publicado em: 01/03/2012 09:59:13
Dificuldade no diagnóstico e acesso a tratamentos são temas de seminário sobre doenças raras no Rio
29/02/2012 - Agência Brasil

Rio de Janeiro – As doenças raras, cuja data é comemorada hoje (29), serão discutidas pela primeira vez na capital fluminense em um seminário na Câmara Municipal do Rio, às 18h. O seminário é gratuito e contará com a presença de pacientes, laboratórios e profissionais da área de saúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que irão esclarecer dúvidas sobre doenças raras, destacando a dificuldade do diagnóstico e o acesso ao adequado tratamento a esses pacientes.

“O seminário é um passo no caminho da informação e também da articulação entre grupos e de parentes para que tenham voz mais ativa junto ao governo, aos laboratórios, com a área científica. Nossa intenção é essa, abrir espaço para as pequenas entidades falarem e se informarem”, explicou Marcos Teixeira, integrante do Grupo de Estudo de Doenças Raras (GEDR), um dos organizadores do seminário. Segundo ele, é grande o desconhecimento sobre essas enfermidades, o que atrasa e prejudica o diagnóstico.

“As doenças raras, normalmente, não têm cura, mas um diagnóstico precoce possibilita um tratamento que pode ser feito durante toda a vida da pessoa. Mas a demora desse diagnóstico pode causar diversos tipos de complicações e pode ser fatal em alguns casos”.

Teixeira enfatizou que a falta de informação e a demora no diagnóstico também camuflam a real prevalência de algumas doenças no Brasil. “A Síndrome de Williams [desordem genética que causa impactos nas áreas comportamental, cognitiva e motora] tinha, até dez anos atrás, prevalência de um caso para cada 50 mil pessoas. Com a criação da Sociedade da Síndrome de Williams [2002], que investiu em divulgação da informação, pesquisas e convênios, a prevalência baixou de um para 30 mil. Ou seja, havia mais gente com essa síndrome que não era diagnosticada por falta de conhecimento”.

Ele lamentou que muitas dessas enfermidades raras não possuam medicamentos nem pesquisas por falta de interesse das indústrias farmacêuticas em produzir um medicamento que não dá lucro.

A geneticista da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Genética, Raquel Boy, criticou a demora na regulamentação da Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica para o Sistema Único de Saúde (SUS), criada em 2009. "A maioria dessas doenças raras é genética e seus pacientes continuam sem acesso a exames para diagnóstico e tratamento pela rede pública de saúde. Eles não estão inseridos nas linhas de cuidado, há poucos profissionais treinados. Um caos. Isso significa um ônus para os familiares e para a sociedade como um todo”.

A médica lembrou que a segunda maior causa de mortalidade infantil, conforme dados do DataSUS, são os defeitos congênitos. “Essa política diminuiria gastos futuros para a saúde pública, diminuiria o índice de mortalidade e de recorrência de casos, devido ao diagnóstico precoce, ao treinamento permanente dos profissionais, às pesquisas futuras, ao cuidado intensivo e à prevenção”.

O debate também está sendo promovido hoje no Congresso Nacional, em Brasília. A data é comemorada há cinco anos, em outras cidades, ao redor do mundo. A data 29 de fevereiro, rara no calendário, foi criada pela Eurordis (Rare Diseases Europe), com o objetivo de conscientizar as pessoas acerca da existência das doenças raras e seu impacto na vida dos pacientes. Segundo a entidade, existem atualmente 7 mil doenças raras diferentes identificadas, sendo 80% delas de origem genética.

Vítimas de doenças raras convivem com a falta de especialistas e o alto custo do tratamento


29/02/2012 - 6h38

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Pelo menos uma vez por mês, a paranaense Bénie Bussmann, 37 anos, precisa ser hospitalizada. O quadro é dores intensas no abdômen e nas costas, além de náuseas. Os remédios aliviam os sintomas, mas não evitam novas crises. Essa rotina já dura cinco anos. Bénie é uma das brasileiras que sofrem de porfiria aguda, uma doença rara causada pela deficiência de uma enzima relacionada à hemoglobina.
Bénie sofreu a primeira crise de porfiria - doença hereditária - aos 15 anos de idade. Porém, o diagnóstico só foi confirmado há oito anos. Não se sabe ao certo quantas pessoas no mundo têm porfiria. Acredita-se que uma a cinco pessoas em cada 100 mil habitantes podem desenvolver algum tipo do distúrbio metabólico. No Brasil, a estimativa varia de 1.900 a 9.500 pessoas.
A subnotificação e o fato de não afetar tantas pessoas em comparação a outras enfermidades levam as doenças raras a serem desconhecidas até mesmo dos próprios médicos, resultando no diagnóstico tardio ou equivocado. Em alguns casos pode demorar 20 anos para a constatação de que uma pessoa sofre de doença rara. Em uma das crises, Bénie conta que a dor era tão intensa que um médico queria submetê-la a uma cirurgia.
Devido à porfiria, Bénie diz não ter tanta energia para fazer várias atividades e lembra que tem de tomar constantemente remédios para controlar as dores. Ela evita alguns tipos de medicamento, como analgésicos, que são verdadeiros estopins para uma crise. “Me sinto fraca, o braço treme e são fisgadas de dor. Não consigo nem tomar um gole de água que já sinto náuseas”, relata.
Nos momentos mais críticos, precisa ficar internada por vários dias, afastada do trabalho de pedagoga na rede pública de ensino em Curitiba. Além das dores, ainda tem de lidar com o preconceito em relação à doença. “Uma vez, uma colega deu uma indireta de que eu não iria trabalhar só por causa de uma dor na barriga”, conta Bénie, que é vice-presidenta da Associação Brasileira de Porfiria.
As mudanças de hábitos impostas pela doença afetaram também a vida pessoal da pedagoga. “Ele [o ex-marido] descobriu junto comigo a doença e não conseguiu lidar. Acho que não deu conta de lidar com a pessoa em que me transformei”.
No Dia Mundial das Doenças Raras, lembrado hoje (29), Bénie e outros brasileiros chamam a atenção para as dificuldades de enfrentar uma enfermidade que quase ninguém conhece. Entre elas estão a falta de médicos, laboratórios e hospitais especializados e o alto custo do tratamento - a maioria dos remédios não está disponível no Brasil e precisa ser importada.
“É de absoluta necessidade a conscientização da classe médica e da população em geral sobre os sintomas e o tratamento”, alerta Raquel Martins, presidenta da Associação Brasileira de Portadores de Angiodema Hereditário - doença genética que provoca inchaços em vários partes do corpo, inclusive na laringe.
Para ter acesso à medicação, muitos pacientes têm recorrido à Justiça. Apenas em 2011, o Ministério da Saúde desembolsou R$ 167 milhões para atender a 433 ações judiciais que determinavam a compra de remédios para pessoas com doenças raras.
Há três anos, o governo federal lançou a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica com o objetivo de criar uma rede de assistência a pessoas com doenças raras, inclusive com centros de aconselhamento genético. Segundo o Ministério da Saúde, o entrave é que existem 5 mil alterações genéticas que podem levar à ocorrência dessas doenças. A maior parte delas não tem cura e nem tratamento com eficácia comprovada, e os remédios servem para amenizar os sintomas, segundo a pasta.
Atualmente, 80 hospitais são equipados para consultas em genética clínica e realizaram mais de 71 mil atendimentos no ano passado. Os gastos com exames de laboratórios e consultas somam cerca de R$ 4 milhões por ano, conforme o governo federal. Já existem  protocolos com orientações para indicação de remédios e exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para 18 tipos de doenças raras.
Na avaliação de entidades que representam pacientes com doenças raras, o atendimento precisa ser personalizado diante das demandas específicas. “A criação de um centro de referência em doenças genéticas com atenção especial, tratamento diferenciado, com orientação à família e com profissionais capacitados seria uma boa pedida. Não é algo tão impossível de fazer”, cobra Valério Oliveira, presidente da Associação Brasileira das Pessoas com Hemangionas e Lifangiomas - má-formação vascular que resulta em manchas  avermelhadas no rosto.
Edição: Graça Adjuto

http://abetblog.wordpress.com/2012/03/05/3a-caminhada-de-apoio-ao-paciente-de-doencas-raras-brasil-2012/


3ª Caminhada de Apoio ao Paciente de Doenças Raras Brasil 2012

A ABET esteve presente neste fim de semana (03/03, sábado)
na 3ª Caminhada de Apoio ao Paciente de Doenças Raras Brasil 2012
que ocorreu em Viçosa – MG.
O Gabriel, coordenador do Método Doman da ABET, foi o privilegiado
a estar presente e participar deste grande evento.
Além da caminhada, foram realizadas outras atividades, assim como
algumas palestras de importantes pessoas fala tudo sobre doenças raras.
A caminhada ocorreu também no Rio de Janeiro capital, Brasília – DF,
Maua – SP e São Paulo capital.
- Link dos eventos no Rio/Brasilia/Minas:
http://estudandoraras.blogspot.com/2012/03/gedr-agradece-todas-as-entidades-que.html
- Link do Dia Mundial de Doenças Raras em São Paulo e Maua:
http://estudandoraras.blogspot.com/2012/02/video-terceira-caminhada-de-apoio-ao.html

Pronunciamento do Deputado Romário no Seminário: Dia Mundial Das Doenças Raras



Pronunciamento do Deputado Romário no Seminário: Dia Mundial Das Doenças Raras
Hoje, 29 de fevereiro, celebramos o Dia Mundial das Doenças Raras. A data é lembrada no Brasil e em vários outros países, com palestras e diversas atividades de conscientização em relação a esse problema que, infelizmente, muita gente ainda ignora.
Calcula-se que existam mais de sete mil tipos das chamadas Doenças Raras, a maioria de origem genética, que atingem cerca de 8% da população mundial. É um número que parece pequeno, mas que representa sofrimento para muita gente.
As Doenças Raras são geralmente graves, crônicas, sem cura, muitas vezes degenerativas e progressivas. Elas afetam uma a cada duas mil pessoas.
A maior parte delas atinge crianças. E, mesmo nos países ricos, a mortalidade infantil entre portadores dessas doenças chega a 30%! Um número alarmante, com certeza.
O problema não para por aí. Um grande obstáculo que os portadores de doença rara e suas famílias enfrentam é a falta de conhecimento sobre o tema, mesmo entre os médicos, o que dificulta bastante o diagnóstico, que em muitos casos acaba chegando dolorosamente tarde.
Nesse meio tempo, as pessoas são vítimas do preconceito e da desesperança, são isoladas do convívio social e ainda enfrentam sintomas que poderiam, pelo menos, ser aliviados.
Como se não bastasse a dificuldade de chegar a um diagnóstico, o acesso a tratamento adequado também é muito difícil. Os medicamentos são às vezes muito caros, pouco disponíveis, é preciso até brigar na justiça para obtê-los e às vezes, lamentavelmente, os pacientes acabam morrendo na fila de espera. É triste, mas é a realidade.
Em 2009, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica, uma iniciativa que merece o nosso aplauso e que poderá melhorar a assistência aos portadores de doença rara.
O problema é que a medida ainda não saiu do papel, como ocorre com muitas boas iniciativas em nosso País. Por isso eu enviei ao Ministro Alexandre Padilha um requerimento de indicação, solicitando que sejam tomadas providências para que a Portaria nº 81, do Ministério da Saúde, se torne realidade na vida de quem precisa.
Para encerrar, quero lembrar que ainda precisamos saber o número de pessoas portadoras de Doenças Raras no Brasil, pois esse levantamento nunca foi feito oficialmente! Temos apenas estimativas, segundo as quais cerca de 13 milhões de brasileiros teriam alguma enfermidade desse tipo.
Enquanto nós permanecermos nesse grau de ignorância a respeito do tema, vai ser difícil implementar políticas que tragam aos brasileiros com doença rara a assistência que eles com certeza merecem, e que a nossa Constituição assegura.
Por isso a gente diz que esse é um problema de “poucos”, entre aspas, mas de responsabilidade de todos nós.
Muito obrigado a todos vocês pela presença neste auditório!

Doenças raras: Brasil tem cerca de 150 profissionais especializados


A maioria dos pacientes com algum tipo de doença rara só consegue atendimento em hospitais universitários

AGÊNCIA BRASIL

O Brasil registra cerca de 150 profissionais especializados em doenças raras, segundo dados da Sociedade Brasileira de Genética Médica. Por ocasião do Dia Mundial das Doenças Raras, lembrado hoje (29), o presidente do órgão, Marcial Francis Galera, alertou que nos últimos anos o país registrou poucos avanços no campo da genética clínica. Ele lembrou que 80% dos casos de doenças raras têm origem genética.
Segundo Galera, em 2009 o governo brasileiro lançou a  Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica. “De lá para cá, a coisa andou muito pouco". Para ele, seria necessária uma portaria normatizando o assunto. Este ano, acrescentou, o tema foi retomado, com uma reunião no início deste mês. “Mas, do ponto de vista concreto, nada saiu do lugar”.
Para o especialista, há certa “acomodação” por parte do governo, já que a maioria dos pacientes com algum tipo de doença rara só consegue atendimento em hospitais universitários. A verba utilizada para atender os casos é proveniente de investimentos em projetos de pesquisa.
Dados da associação mostram que os atendimentos a pacientes com doenças raras se concentram nas regiões Sul e Sudeste, sobretudo no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e em São Paulo. Outro problema, de acordo com Galera, é que poucos estudantes se interessam por uma especilização na área de genética clínica, já que não há estímulo por parte do governo. O cálculo é que o país precisa de pelo menos o dobro dos 150 especialistas com os quais conta atualmente.
Não há dados oficiais sobre o número de brasileiros atingidos por algum tipo de doença rara. A estimativa da associação é que entre 3% e 5% da população nasçam com algum tipo de problema genético. Há ainda a chance de que algo seja diagnosticado ao longo da vida adulta, o que eleva o índice para quase 10%, totalizando entre 15 e 20 milhões de pessoas que precisam do auxílio de um geneticista.
“As autoridades devem se conscientizar da importância desse problema. No conjunto, essas pessoas  formam uma grande parcela da população”, ressaltou Galera.
O Ministério da Saúde informou que vem avançando na elaboração de diretrizes para o diagnóstico, o atendimento e o tratamento das pessoas com doenças raras. O Sistema Único de Saúde (SUS) conta atualmente com cerca de 26 protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas – 18 deles foram publicados nos últimos dois anos e envolvem a oferta de medicamentos e de tratamentos cirúrgico e clínico para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
“A assistência aos pacientes com doenças genéticas é um grande desafio do SUS devido à complexidade do assunto – existem cerca de 5 mil alterações genéticas que podem levar a essas doenças. Grande parte dessas doenças não tem cura, tratamento estabelecido, nem estudos que comprovem a eficácia de diagnóstico e tratamento”, destacou a pasta, por meio de nota.

MEU AGRADECIMENTO PESSOAL PELA HOMENAGEM NA CÂMARA DO RIO DE JANEIRO NO DIA MUNDIAL DE DOENÇAS RARAS

Espaço matérias doenças raras 2012

GEDR AGRADECE A TODAS AS ENTIDADES QUE PARTICIPARAM DO DIA MUNDIAL D DOENÇAS RARAS VIÇOSA MG - RIO DE JANEIRO E BRASILIA