AVISO IMPORTANTE

"As informações fornecidas são baseadas em artigos científicos publicados. Os resumos das doenças são criados por especialistas e submetidos a um processo de avaliação científica. Estes textos gerais podem não se aplicar a casos específicos, devido à grande variabilidade de expressão da doença. Algumas das informações podem parecer chocantes. É fundamental verificar se a informação fornecida é relevante ou não para um caso em concreto.

"A informação no Blog Estudandoraras é atualizada regularmente. Pode acontecer que novas descobertas feitas entre atualizações não apareçam ainda no resumo da doença. A data da última atualização é sempre indicada. Os profissionais são sempre incentivados a consultar as publicações mais recentes antes de tomarem alguma decisão baseada na informação fornecida.

"O Blog estudandoraras não pode ser responsabilizada pelo uso nocivo, incompleto ou errado da informação encontrada na base de dados da Orphanet.

O blog estudandoraras tem como objetivo disponibilizar informação a profissionais de cuidados de saúde, doentes e seus familiares, de forma a contribuir para o melhoramento do diagnóstico, cuidados e tratamento de doenças.

A informação no blog Estudandoraras não está destinada a substituir os cuidados de saúde prestados por profissionais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

VIDEO CONGRESSO DOENÇAS RARAS 2

VÍDEO CONGRESSO DOENÇAS RARAS 1

Ministério define diretrizes para diagnóstico e tratamento de doenças

Ministério define diretrizes para diagnóstico e tratamento de doenças

Projeto revisará e elaborará 86 protocolos clínicos para tratar enfermidades integralmente. MS publica dois protocolos, assina normas de elaboração e coloca oito em consulta pública O Ministério da Saúde quer garantir o tratamento seguro e eficaz da população em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Até o fim do ano, profissionais do Ministério em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC) revisarão todos os 53 Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados e elaborarão outros 33, totalizando 86. Eles definem como cada doença deve ser tratada no SUS, desde o diagnóstico até o tratamento. Nesta quarta-feira, dia 11, o Ministério da Saúde publica no Diário Oficial da União (DOU) as normas de elaboração dos documentos e os protocolos clínicos da espasticidade e das distonias. Além disso, será colocada em consulta pública, por 30 dias, a atualização de protocolos de oito enfermidades. A estimativa é de que as 10 doenças referentes a essas portarias acometam 1,9 milhão de pessoas por ano (veja quadro no fim do texto) “Além de sua importância na qualificação da assistência propriamente dita, os protocolos cumprem papel fundamental nos processos de gerenciamento dos programas de assistência farmacêutica, nos processos de educação em saúde para profissionais e pacientes, e nos aspectos legais envolvidos no acesso a medicamentos e na assistência como um todo”, afirma o secretário de Atenção à Saúde do MS, Alberto Beltrame. O secretário ressalta que, ao implantar e elaborar os protocolos, os gestores do SUS contribuirão efetivamente para a prescrição segura e eficaz desses medicamentos, para a democratização do conhecimento médico e para a qualificação das informações prestadas aos pacientes sobre as opções terapêuticas existentes nas diversas situações clínicas. REVISÃO - A espasticidade é um distúrbio motor incapacitante no indivíduo. Alguns músculos (espásticos) são mais resistentes à contração do que os músculos normais, o que limita o indivíduo e compromete a realização de tarefas diárias. As distonias, por sua vez, são um grupo de doenças caracterizadas por contrações musculares involuntárias, que podem causar lentidão ou até mesmo congelamento dos movimentos durante uma ação, de acordo com cada caso. Os protocolos clínicos da espasticidade e das distonias, ambas relacionadas ao sistema nervoso central, foram publicados pela primeira vez em 2002. O secretário de Atenção à Saúde do MS, Alberto Beltrame, explica que, nessa época, eles foram produzidos por meio de revisão criteriosa de literatura para regular o uso de medicamentos. Agora, eles passaram pela revisão sistemática, metodologia que analisa a qualidade dos estudos utilizados e o seu grau de evidência científica, entre outros critérios. Todos os outros protocolos que estão em processo de atualização, incluindo os oito que entram em consulta pública nesta quarta-feira (11), foram elaborados entre 2001 e 2006 e também passarão pela revisão sistemática. Todas as portarias a serem publicadas passaram pelo crivo de especialistas, que confirmaram a indicação feita pelos técnicos nos anos anteriores e a sua segurança para os usuários do SUS. “O fato de atualizarmos todos os protocolos não significa que as indicações anteriores estão erradas. Temos um compromisso público e discutimos as novidades na assistência aos pacientes”, observa Beltrame. Com base nas normas assinadas, os documentos abordam temas que vão desde a inclusão ou exclusão de pacientes no protocolo de atendimento, passando pelos medicamentos a serem prescritos, formas de administração e tempo de tratamento, até o monitoramento de resultados. “Além disso, os novos protocolos não focarão apenas o uso do fármaco, mas o tratamento em todas as fases da doença. Muito mais que ampliar o acesso aos medicamentos, queremos promover o seu uso racional e seguro”, afirma o secretário. ACESSO - Em setembro, o Ministério da Saúde publicou o Protocolo da doença celíaca, caracterizada pela intolerância permanente ao glúten, proteína presente no trigo, centeio, cevada e aveia. A previsão é de que o material com todos os protocolos seja compilado em livro até o próximo ano. Segundo a coordenadora de Média e Alta Complexidade do MS, Maria Inez Pordeus Gadelha, um dos protocolos que deu acesso a um tratamento pouco conhecido no Brasil foi o da Doença de Gaucher, publicado em 2002. Essa é uma enfermidade hereditária que compromete o metabolismo de lipídios e é caracterizada por sintomas como anemia e lesões ósseas. “Essa é uma enfermidade muito rara, de difícil diagnóstico e que demanda estrutura dos serviços de saúde. Como o Brasil não tinha nada protocolado sobre isso, o documento possibilitou o tratamento, organizou a assistência e qualificou o atendimento”, ressalta a coordenadora. A elaboração de protocolos é realizada em casos de doenças graves, consideradas problemas de saúde pública, negligenciadas ou cujos medicamentos são de alto custo, entre outros critérios. “A medicina existe e o seu exercício compete a quem trabalha no setor. A sua prática jamais pode ser totalmente transferida para um livro. Protocolar não significa resolver o problema do acesso a medicamentos, mas sim qualificar esse acesso, até porque a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças devem ser atualizados constantemente”, afirma Maria Inez. REDUÇÃO DE CUSTOS - O superintendente de Sustentabilidade Social do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Mauro Medeiros Borges, aposta que, por meio do controle padronizado na prescrição dos fármacos e avaliação dos tratamentos, o Brasil poderá medir os resultados da adoção das diretrizes e aperfeiçoar cada vez mais os serviços de saúde. Para ele, a revisão e implantação dos novos protocolos resultarão tanto na melhoria da assistência à saúde como na redução de gastos no SUS. “Os médicos vão prescrever os medicamentos corretos e na dose adequada para quem realmente necessita. Isso evita o desperdício e, consequentemente, possibilita o atendimento de mais pessoas com mais qualidade”, ressalta Borges. DESENVOLVIMENTO – A revisão e elaboração dos protocolos clínicos integram os Projetos de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS. Por meio deles, o MS firmou parceria com hospitais privados de notório reconhecimento nacional e internacional, entre eles o Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HOAC). Essas instituições têm isenção de contribuições sociais e investem o valor diretamente na melhoria da assistência do SUS. Em projetos de criação de núcleo de coordenação e elaboração dos PCDT e de implementação dos protocolos em parceria com o HAOC, serão investidos R$ 11,3 milhões nos próximos três anos. Os profissionais envolvidos na atualização dos protocolos estão divididos em 10 grupos de trabalho, classificados por especialidades, como hematologia, cardiologia, ortopedia, endocrinologia e neurologia. O grupo conta com a participação de colaboradores da comunidade científica externos ao Ministério da Saúde. “São pesquisadores e profissionais de diversas áreas que lidam na prática com as doenças cujos protocolos estão em processo de atualização e elaboração”, afirma Maria Inez.
Portarias publicadas na quarta, dia 11
1 - Protocolos finais
1.1 Espasticidade – 1,8 milhão de novos casos anuais
1.2 - Distonias – 58 mil novos casos anuais
2 Protocolos colocados em consulta pública
2.1 - Hipotireoidismo congênito – 1,3 mil novos casos anuais
2.2 – Deficiência de GH – 860 novos casos anuais
2.3 - Síndrome de Guillain-Barré – sem estimativa
2.4 - Doença Falciforme – 1,5 mil novos casos anuais
2.5 - Osteodistrofia renal – 18 mil novos casos anuais
2.6 - Uveítes não infecciosas – 69 mil novos casos anuais
2.7 - Esclerose Lateral Amiotrófica – 3 mil novos casos anuais
2.8 – Hipoparatireoidismo – sem estimativa de incidência
3 - Normas de elaboração dos protocolos
Protocolos a serem revisados
Revisão:
- Acne;
- Acromegalia;
- Anemia na Insuficiência Renal Crônica;
- Angioedema hereditário;
- Aplasia Pura adquirida crônica da série vermelha;
– Artrite reumatóide;
– Asma grave;
- Deficiência do Hormônio do Crescimento (GH);
- Dermatopolimiosite (Polimiosite, Dermatomiosite);
- Diabetes insípido;
– Dislipidemia em pacientes de alto risco de desenvolver eventos cardiovasculares;
- Distonias Focais e Espasmo Hemifacial;
– Doença de Alzheimer;
- Doença de Crohn;
- Doença de Gaucher;
- Doença de Paget dos Ossos;
– Doença de Parkinson;
- Doença de Wilson;
- Doença Falciforme;
- Endometriose;
– Epilepsia refratária;
- Esclerose lateral amiotrófica;
- Esclerose múltipla;
- Esclerose sistêmica;
- Espasticidade focal;
- Espondilite ancilosante;
– Esquizofrenia refratária;
- Fenilcetonúria;
- Fibrose cística;
- Hepatite auto-imune;
– Hepatite viral C;
– Hepatite viral crônica B (publicado);
- Heperfosfatemia na Insuficiência Renal Crônica;
- Hiperplasia adrenal congênita;
- Hiperprolactinemia;
- Hipoparatireoidismo;
- Hipotireoidismo congênito;
- Ictioses;
- Imunodeficiência primária com predominância de defeitos de anticorpos;
- Insuficiência pancreática exócrina;
- Neutropenia: tratamento com estimulantes de colônias das células progenitoras da medula óssea;
- Osteodistrofia renal;
– Osteoporose;
- Profilaxia da reinfecção pelo vírus da hepatite B pós-transplante hepático;
- Psoríase grave;
- Raquitismo e osteomalácia;
- Retocolite ulcerativa;
- Síndrome de Guillain-Baré;
- Síndrome de Turner;
- Sobrecarga de ferro;
- Imunossupressão em transplante renal;
– Uso de opiáceos no alívio da dor crônica;
- Uveítes posteriores não-infecciosas.
Doenças cuja elaboração do protocolo está em análise
- Anemia aplástica;
- Anemia hemolítica autoimune;
– Anemia por deficiência de ferro;
- Artrite psoriática;
- Atendimento de Urgência do Infarto do Miocárdio;
- Doença celíaca (publicado);
– Doença pelo HIV resultando em outras doenças;
- Espondilopatia inflamatória;
- Espondilose;
- Hemangioma;
– Hipertensão arterial pulmonar;
- Leiomioma de útero;
- Lúpus eritematoso sistêmico;
- Miastenia gravis;
- Ossificação do ligamento longitudinal posterior;
- Puberdade precoce;
- Púrpura trombocitopênica idiopática;
- Síndrome dos ovários policísticos e hirsutismo;
– Síndrome nefrótica;
- Imunossupressão em transplante cardíaco;
- Imunossupressão em transplante de coração e pulmão;
- Imunossupressão em transplante de córnea;
- Imunossupressão em transplante de osso;
- Imunossupressão em transplante de pele;
- Imunossupressão em transplante de pulmão;
- Imunossupressão em transplante hepático;
- Imunossupressão em transplante de medula ou pâncreas.

Outras informações Atendimento à Imprensa (61) 3315 2351/ 3580 jornalismo@saude.gov.br

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Hanseníase

1. INTRODUÇÃO A Hanseníase é uma doença milenar, mencionada na Bíblia como Lepra (Bíblia Sagrada Sagrada, 1992). E, surpreendentemente, ainda hoje, ocorre como um problema de saúde pública em alguns países do mundo e dentre eles, o Brasil. É uma doença infecto-contagiosa atingindo principalmente a faixa etária economicamente ativa da população , causada por um bacilo (tipo de germe ou microorganismo) denominado de Mycobacterium Leprae, antigamente denominada Lepra, teve o seu nome mudado para Hanseníase em homenagem ao médico norueguês “Gerhard Armauer Henrik Hansen”, nascido em Bergen que, em 1873, descobriu, não somente, o bacilo da Lepra, mas, também que Lepra era um dos mais antigos males da humanidade. O Mycobacterium Leprae é um parasita intracelular que apresenta afinidade por células da pele e por células do nervos periféricos, ou seja infecta principalmente estes tecidos. Transmissão A via principal de transmissão é a respiratória. Os pacientes sem tratamento eliminam os bacilos através do aparelho respiratório superior, sejam pelas secreções nasais, gotículas de saliva que saem com a fala, tosse ou espirro. Este bacilo, que fica suspenso no ar por alguns segundos, pode contaminar uma pessoa próxima e desenvolver a doença. Vale à pena ressaltar que o paciente em tratamento regular com medicação ou que já recebeu alta não transmite a doença. Muitas pessoas que entram em contato com estes bacilos não adquirem a doença. Somente 5% delas irão desenvolver a hanseníase com o passar do tempo. Fatores ligados à genética humana e ao sistema imunológico (defesa do organismo) irão determinar se um indivíduo irá ou não contrair a doença após o contato com o bacilo de hansen. O período de incubação da hanseníase é bastante longo, variando de três a cinco anos. Período de incubação é o tempo necessário para o desenvolvimento dos primeiros sinais e sintomas da doença após o contágio ou contaminação pelo bacilo. Tipos Existem diferentes formas clínicas de Hanseníase, umas mais graves que outras, que se desenvolvem de acordo com a resposta do sistema imunológico de cada pessoa. Você não precisa decorar os nomes, mas é importante que conheça a aparência das lesões. Hanseníase indeterminada: forma mais benigna. Geralmente, encontra-se apenas uma mancha, de cor mais clara que a pele normal, com diminuição da sensibilidade. Mais comum em crianças. neste caso o bacilo se multiplica muito, levando a um quadro mais grave. Há atrofia muscular, inchaço das pernas e surgimento de nódulos na pele. Os órgãos internos também são acometidos pela doença. Sinais e Sintomas Os sinais e sintomas da hanseníase estão localizados principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, nas costas, nas nádegas e nas pernas. Abaixo segue uma lista dos sinais e sintomas mais comuns da hanseníase: Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo. Área de pele seca e com falta de suor. Área da pele com queda de pêlos, mais especialmente nas sobrancelhas. Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade (dormências, diminuição da sensibilidade ao toque, calor ou dor). Neste caso, pode ocorrer de uma pessoa se queimar no fogão e nem perceber, indo verificar a lesão avermelhada da queimadura na pele mais tarde. Parestesias (sensação de formigamento na pele, principalmente das mãos e dos pés). Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas. Edema ou inchaço de mãos e pés. Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos. Úlceras de pernas e pés. Nódulo (caroços) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos. Alguns casos apresentam doença sistêmica (que afeta todo o organismo). Eles são mais avançados e muitas vezes o diagnóstico não é lembrado. Por isso é importante observar os sinais e sintomas descritos a seguir e, na hipótese diagnóstica de hanseníase, fazer um bom exame neurológico. Os sinais e sintomas mais comuns nas formas mais graves da hanseníase são: Febre, edemas e dor nas juntas. Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz e olhos. Mal estar geral, emagrecimento. A doença se desenvolve lentamente, mas pode causar reações agudas (febre, caroços no corpo, inchaços) e neurites (dor e formigamento nos nervos, dormência, diminuição da força muscular das mãos e dos pés, acarretando prejuízo de movimentos finos, a exemplo do movimento de pinça com os dedos) e incapacidades físicas que evoluem para deformidades. Diagnóstico O diagnóstico da hanseníase é basicamente clínico, baseado nas queixas, sinais e sintomas detectados no exame de toda a pele, olhos, palpação dos nervos, avaliação da sensibilidade superficial e da força muscular dos membros superiores e inferiores. Em raros casos será necessário solicitar exames complementares em Unidades de Referência para confirmação diagnóstica. Dentre os exames mais solicitados para confirmação diagnóstica está a pesquisa do Bacilo de Hansen na linfa. Trata-se de um exame onde se extrai um líquido (linfa) das orelhas, cotovelos ou joelhos após pressioná-los com uma pinça especial. A linfa então é mandada para o laboratório para análise e pesquisa do Bacilo de Hansen. Existem outros métodos de diagnóstico em casos mais difíceis, como a biópsia de um nervo periférico (acometido pela doença) que é submetido para análise microscópica. Tratamento A Hanseníase tem cura. O tratamento é feito nas unidades de saúde do SUS e é gratuito. A cura é mais fácil e rápida quanto mais precoce for o diagnóstico. O tratamento é por via oral, constituído pela associação de dois ou três medicamentos, configurando uma poliquimioterapia. Os medicamentos mais utilizados para tratamento da hanseníase são: Rifampicina Dapsona Clofazimina O tratamento geralmente ocorre ao nível ambulatorial e não necessita de internação, devendo ser prescrito somente por médicos. Prevenção É importante que se divulgue junto à população os sinais e sintomas da doença e a existência de tratamento e cura, através de todos os meios de comunicação. A partir do diagnóstico de um caso de hanseníase deve ser feito de imediato a investigação epidemiológica de todo caso novo objetivando romper a cadeia epidemiológica de transmissão da doença. Deve-se procurar identificar a fonte de contágio do doente, descobrir novos casos de hanseníase entre os conviventes no mesmo domicílio e realizar exame dos contatos intradomiciliares (toda e qualquer pessoa que resida ou tenha residido com o doente nos últimos cinco anos). Esta ação é justificada pelo fato de que elas apresentam um maior risco de adoecerem do que a população em geral. As pessoas que tiveram contato com os portadores da hanseníase devem receber informações sobre a doença e serem informados da necessidade de ficarem atentos ao aparecimento de sinais e sintomas, visando fazer um diagnóstico precoce. Além disso, outra forma de prevenção baseia-se na aplicação da vacina BCG em todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio com o portador da doença. 2.OBJETIVO Sensibilizar e informar a comunidade e os profissionais da área da saúde sobre a doença Hanseníase. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS http://portalprefeitura.sp.gov.br www.bancodesaude.com.br

domingo, 7 de fevereiro de 2010

CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS SOBRE A IMPORTANCIA DA INFECÇÃO EM FERIDAS POR MICROORGANISMOS EM AMBIENTES HOSPITALARES

INTRODUÇÃO: Infecções hospitalares ( IH ) são as mais freqüentes e importantes complicações ocorridas em pacientes hospitalizados. No Brasil, estima- se que 15,5% o que corresponde a 1,18 episódios de infecção por cliente internado em hospitais brasileiros contraem alguma infecção hospitalar. Além disso, considera – se mais um agravante, o fato das instituições de saúde publica possuírem a maior taxa de prevalência de IH no país, 18,4% . Uma infecção hospitalar acresce, em média, 5 a 10 dias ao período de internação. Além disso, os gastos relacionados a procedimentos diagnósticos e terapêuticos da infecção hospitalar fazem com que o custo seja elevado. De acordo com a portaria n° 2.616 de 12/05/1998 do Ministério da Saúde, a Infecção hospitalar é adquirida após a admissão do paciente na unidade hospitalar e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares. A maioria das infecções são de origem endógena, a contaminação da ferida ocorre, na maioria das vezes, no período intra-operatório e é difícil se determinar, em casos individuais, a exata fonte da infecção. as taxas de infecção de sítio cirúrgico estão sujeitas às variações do tipo de paciente e procedimentos realizados na instituição; a maior parte dos casos de infecção de sítio cirúrgico se manifesta após a alta hospitalar. Os principais fatores que influenciam a aquisição de uma infecção de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) são: status imunológicos, uso abusivo de antibióticos, procedimentos médicos em particular, os invasivos, imunossupressão e falhas nos procedimentos de controle de infecção. Uma ferida é representada pela interrupção da continuidade de um tecido corpóreo, em maior ou em menor extensão, causada por qualquer tipo de trauma físico, químico, mecânico ou desencadeada por uma afecção clínica, que aciona as frentes de defesa orgânica para o contra ataque. São microambientes fáceis de contaminação e infecção. Vários são os microrganismos presentes em feridas no ambiente hospitalar e que são responsáveis por causarem infecções aumentando o risco de morte nos pacientes. A equipe de enfermagem deve participar do combate as infecções, obtendo conhecimento científico e dando ênfase na tomada de decisões. Dessa maneira, o presente estudo se justifica para acrescentar dados sobre a ocorrência de microorganismos mais freqüentes em feridas em ambientes hospitalares e serve como atualização e conhecimento para a equipe de enfermagem. OBJETIVO: Mostrar aos enfermeiros a importância do conhecimento sobre infecção em feridas por microorganismos em ambientes hospitalares. METODOLOGIA: Estudo realizado a partir de revisão bibliográfica. O material constituiu-se de artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais divulgados nas bases de dados: BIREME – LILACS, SCIELO, no período de 2000 a 2009. Os critérios adotados para seleção dos artigos foram: versarem sobre o tema; serem indexados nas bases de dados referidas; estarem disponíveis na íntegra e nas línguas dos descritores usados para o levantamento de dados: Infecção Hospitalar, Feridas, Microorganismos. RESULTADOS: As feridas podem ser classificadas, de acordo com o tempo de reparação tissular, em agudas e crônicas. As feridas agudas são originadas de cirurgias ou traumas e a reparação ocorre em tempo adequado, sem complicações. As feridas crônicas são aquelas que não são reparadas em tempo esperado e apresentam complicações. Sua classificação também consiste na descrição anatômica da profundidade da ferida. Este sistema é adotado para estadear alguns tipos de feridas crônicas, como as úlceras por pressão e as queimaduras. O sistema de classificação por extensão do dano tissular completa o anterior. Engloba a ferida superficial (limitada à epiderme), ferida com perda parcial (limitada à epiderme e porção superior da derme) e a perda total (existe destruição da epiderme, derme, tecido subcutâneo, podendo invadir músculos, tendões e ossos). Os fatores de riscos de infecções em feridas no paciente, ocorrem devido a múltiplos fatores, entre eles se destacam: a idade (recém nascidos e idosos são mais vulneráveis), pacientes com quadro de diabetes mellitus, hospitalização prolongada e o uso de maneira indiscriminada de antimicrobianos, sem restrições nas instituições, contribuindo para a disseminação bacteriana resistentes a esses medicamentos, gerando infecção hospitalar. A rápida emergência e disseminação de microorganismos resistentes a agentes antimicrobianos é um problema com dimensões de crise nos hospitais por todo o mundo. As causas fundamentais deste problema são compostas por múltiplos fatores, mas as questões centrais são claras. A emergência da resistência antimicrobiana tem uma alta correlação com a pressão seletiva resultante do uso indevido de agentes antimicrobianos. A disseminação de organismos resistentes é facilitada pela transmissão pessoa-a-pessoa devido à inconsistente aplicação de medidas básicas de controle de infecção por funcionários dos hospitais. Dentre os microorganismos, a Pseudomonas aeruginosa se posiciona entre as principais bactérias causadoras de infecções hospitalares. Ela é considerada um patógeno oportunista e multi- resistente, podendo levar o paciente ao óbito. A Pseudomonas aeruginosa normalmente habita o solo, água e vegetais. As feridas são conseqüências de agentes agressores aos tecidos. Todas as feridas crônicas contêm microorganismos, e mesmo assim a cicatrização ocorre na presença destes. Diante disto fica claro que não é a presença dos microorganismos, mas sua interação com o hospedeiro que determinará sua influência na cicatrização de feridas. Quando esta interação é desequilibrada em favor dos microrganismos, temos a infecção e com ela vários transtornos desde os fisiopatológicos até os psicossociais. Geralmente os sítios de infecção hospitalar mais freqüentemente atingidos são o trato urinário, feridas cirúrgicas e trato respiratório. Os patógenos que lideram no ranking das infecções hospitalares são: Escherichia coli :Trato urinário, trato respiratório queimaduras Trato urinário, feridas cirúrgicas, sangue. Pseudomonas sp: Trato urinário, trato respiratório, queimaduras .Klebsiella SP: Trato urinário, trato respiratório, feridas cirúrgicas.Proteus sp: Trato urinário, feridas cirúrgicas .Enterobacter sp: Trato urinário, trato respiratório, feridas cirúrgicas.Serratia sp: Trato urinário, trato respiratório, feridas cirúrgicas. Bactérias Gram positivas : Streptococcus sp: Trato urinário, trato respiratório, feridas cirúrgicas, Trato urinário, trato respiratório, feridas cirúrgicas .Staphylococcus epidermitis: Pele, feridas cirúrgicas, sangue.Também estão presentes os fungi. Diferentes microrganismos como bactérias, fungos, e vírus causam infecções hospitalares. O grupo de patógenos, no entanto, que se destaca é o das bactérias que constituem a flora humana e que normalmente não trazem risco a indivíduos saudáveis devidos sua baixa virulência, mas que podem causar infecção em indivíduos com estado clínico comprometida – denominada assim de bactérias oportunistas. A klebisiella pneumonie é encontrada normalmente nos intestinos, um dos poucos bacilos que causam pneumonia lombar. É também encontrada em associação com infecções do aparelho urinário, endocardites e vários tipos de infecções pós cirúrgicas. O Staphylococcus epidermidis é encontrado em 90% das pessoas e o Staphylococcus aureus, em 10% a 40%%. Está ultima espécie é, entretanto encontrada com freqüência elevada na vulva (60% das mulheres), nas fossas nasais de indivíduos que trabalham em hospitais (50% a 70%)e em pacientes portadores de dermatoses (80%). Após uma lavagem cuidadosa da pele essa conduta pode diminuir em torno de 90% o numero total dos microrganismos existentes na pele. Dentro de oito horas, contudo o numero destes é normalizado. Nas fossas nasais predominam Staphylococcus e corynebacterium. Indivíduos que recebem antibióticos betalactamicos costumam estar colonizados por espécies de bactérias tais como klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. O aparecimento destas espécies parece estar relacionado com a supressão ou redução da microbiota normal da região. Pseudomonas aeruginosa são gram negativos não fermentadores de glicose, que desempenham importante papel nas infecções nosocomiais. Estas bactérias são comumente isoladas de pacientes com pneumonias em hospitais da America Latina. Várias medidas profiláticas são adotadas para evitar infecção hospitalar, entre elas a lavagem das mãos é a maneira mais eficiente e econômica para a prevenção de infecções nosocomiais esse fato é mundialmente reconhecido. Em 2001, como incentivo a adesão da lavagem das mãos pelos profissionais de saúde a ANVISA lançou campanha Lavagem das mãos - um pequeno gesto, uma grande atitude no dia 15 de maio, que é o Dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar. Apesar de ser reconhecidamente a medida preventiva mais importante para reduzir a transmissão de microrganismos por contato, vários estudos apontam que a adesão dos profissionais de saúde a pratica de higienização das mãos é muito insatisfatória, sendo as mãos um dos principais veículos de transmissão de infecção Acredita-se que um terço destas infecções possam ser prevenidas com medidas de controle à uma destas medidas infecção é a adequada higiene das mãos. As mãos devem ser lavadas imediatamente antes de cada contato direto com o paciente e após qualquer atividade ou contato que potencialmente resulte em nova contaminação. As mãos devem ser lavadas com sabão líquido e água. A utilização de sabão com antimicrobianos (clorexidina, iodo entre outros) para lavagem rotineira das mãos reduz transitoriamente a microbiota da pele e é recomendada em unidades de terapia intensiva, unidades de imunodeprimidos e surtos. O uso do álcool-gel está indicado em locais e procedimentos em que ocorra dificuldade para a lavagem das mãos. As mãos devem ser lavadas com técnica adequada que envolve a aplicação de água antes do sabão. O sabão líquido deve ser aplicado com as mãos úmidas e ocupar toda a superfície das mãos. Estas devem ser friccionadas vigorosamente, no mínimo por 10 a 15 segundos, com particular atenção para a região entre os dedos e as unhas. Cabe a equipe de enfermagem cuidar para diminuir o risco de infecção em todos os ambientes hospitalares, adotando métodos assépticos na hora da realização dos curativos, visando à qualidade do procedimento realizado. Os aspectos relevantes para o desenvolvimento de infecção hospitalar são: tempo de internação do paciente, idade e patologias que ao se prolongar pode causar infecções, intervalo entre curativos, especificação dos tipos de curativos. Os curativos de gaze e esparadrapo devem ser trocados a cada 24-48 horas se o curativo se mantiver seco. Realizar anti-sepsia com povidine-iodo ou clorexidina alcoólica em cada troca de curativo, após inspeção do local de inserção. Não utilizar antibiótico tópico no local. O enfermeiro deve ser profundo conhecedor da fisiopatologia das lesões, para saber como diagnosticá-las, dessa maneira o tratamento da mesma terá resultado positivo, proporcionando diminuição nos gastos de materiais que podem elevar os custos financeiros hospitalares, e melhorar a qualidade de vida do cliente, sua auto- estima e a satisfação da equipe de enfermagem. Para, que haja sucesso na terapia de feridas é necessário haver concordância de todas as equipes de enfermagem, dando continuidade ao mesmo tratamento, o que resultará na eficácia dos cuidados das mesmas. As feridas são sempre uma preocupação por parte da equipe de enfermagem no ambiente hospitalar, por serem considerada porta de entrada de microorganismos causadores de infecções. Nos últimos anos, esse problema, tem despertado nos profissionais da saúde muita preocupação, devido alto índice de mortalidade, em especial para as Comissões de Controle em Infecção Hospitalar (CCIH). CONCLUSÃO: A Infecção hospitalar é um problema enfrentado por todos os profissionais da área de saúde, incluindo a equipe de enfermagem. O conhecimento cientifico dos profissionais a respeito das normas a serem utilizadas nos procedimentos, diminui gastos, tempo de internação e melhora na qualidade de vida dos pacientes. O conhecimento do enfermeiro inclui o planejamento das atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem, a elaboração de plano de cuidados, utilizando metodologia científica para prestar assistência individualizada, e capacitação profissional para aprendizado de novas técnicas, visando a melhora no atendimento e dos serviços prestados. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 1. Ministério da saúde (BR).Expede na forma de anexos diretriz e normas para a prevenção e controle das infecções hospitalares: Portaria n° 2.616, de 12 de maio de 1998.Diário oficial da união, República Federativa do Brasil, Brasília (DF),JUL 1998. Wenzel RP. The Lowbury Lecture. The economics of nosocomial infection. J Hosp Infect 1995; 31:79-87. 2.Trabulsi L R, Toledo MRF. Microbiologia. 3ª ed. Cidade: São Paulo, Rio de janeiro Belo horizonte editora Atheneu ; ano.1999 Cap.36 p. 270. 3. Santos AM, Levy CE. Manual de Microbiologia Clinica para o Controle de Infecção em Serviços de Saúde. Edição Comemorativa para IX Congresso Brasileiro de Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar, ago/set. 2004. [citado: 10 jan. 2009]. Disponível em: http:// www.anvisa.gov.br.

Polimiosite

Doença sistêmica do tecido conjuntivo, caracterizada por inflamação e degeneração dos músculos.

Causas, incidência e fatores de risco:

A causa deste distúrbio é desconhecida, porém acredita-se que possa ser causado por uma reação auto-imune, ou por uma infecção viral do músculoesquelético. Pode afetar pessoas de qualquer idade, mas ocorre com maior freqüência entre os 50 e 70 anos, ou em crianças entre 5 e 15 anos de idade. Geralmente, afeta duas vezes mais às mulheres que aos homens, e a incidênciaé de 5 em cada 10.000 pessoas. A fraqueza muscular pode aparecer subitamente ou ocorrer lentamente durante semanas ou meses. Pode haver dificuldade para elevar os braços acima da cabeça, levantar-se quando em posição sentada, ou subir escadas. A voz também pode ser afetada porfraqueza da laringe. Pode ocorrer dor articular, inflamação do coração e doença pulmonar. Uma condição similar, denominada dermatomiosite, fica evidente quando aparece uma erupção vermelho-escura no rosto, pescoço, ombros, na parte superior do tórax e na região lombar. Uma neoplasia pode estar associada com este distúrbio.

Bronquiectasias

Bronquiectasias

CAUSAS

As bronquiectasias têm uma origem muito variada, pois podem ser provocadas por várias doenças que originam uma alteração da estrutura das paredes brônquicas, chegando a destruir, em alguns casos, as suas fibras musculares e elásticas, o que contribui para o desenvolvimento de dilatações localizadas, como se fossem bolsas ou sacos de diferente tamanho e forma. Por vezes, embora se trate de uma doença congénita, as bronquiectasias constituem uma complicação de uma doença bronco- pulmonar surgida na infância, quando as paredes brônquicas são mais frágeis, ou na terceira idade, quando são mais frequentes as doenças brônquicas do tipo obstrutivo, como a bronquite crónica.

Entre as causas clássicas, destacam-se as infecções broncopulmonares que surgem como complicação de doenças típicas da infância, tais como a tosse convulsa e o sarampo. Porém, hoje em dia, graças à vacinação que em inúmeros países é aplicada contra estas doenças, a incidência de bronquiectasias com esta origem baixou significativa mente. Mas todas as infecções brônquicas ou pulmonares, caso não se proceda ao tratamento adequado, sobretudo quando o indivíduo afectado é uma criança, podem originar a formação de bronquiectasias.

Por outro lado, qualquer obstrução brônquica - por exemplo, a produzida pela aspiração de um corpo estranho que bloqueie um brônquio ou por um tumor que obstrua o seu lúmen ou o comprima a partir do exterior - pode ser o ponto de partida para o desenvolvimento de bronquiectasias. De facto, a obstrução brônquica altera a ventilação e a drenagem de secreções, que se acumulam para além do ponto de oclusão, gerando as condições ideais para a proliferação de microorganismos patogénicos. O consequente processo inflamatório e infeccioso vai provocar uma alteração da estrutura das paredes brônquicas, na medida em que modifica o tecido que a suporta, proporcionando o desenvolvimento de dilatações. Existem igualmente algumas doenças que se caracterizam por um aumento da viscosidade das secreções brônquicas, como é o caso da fibrose quística, as quais provocam uma obstrução e originam bronquiectasias entre as suas complicações habituais.

MANIFESTAÇÕES

sintomas dependem do número, tamanho e localização das dilatações brônquicas. Por vezes, os problemas são mínimos, como acontece quando o brônquio afectado se encontra na parte superior do pulmão e a sua drenagem é assegurada pelo efeito da gravidade. Por outro lado, quando as dilatações brônquicas se encontram em zonas inferiores e as secreções tendem a acumular-se no seu interior, as manifestações são evidentes.

A principal corresponde a uma tosse persistente e produtiva, ou seja, com expectoração. Normalmente, a tosse é mais intensa e com abundante expectoração de manhã, ao acor- dar, ao final da tarde e à noite, ao deitar. Por vezes, a expectoração é eliminada com relativa facilidade, praticamente sem qualquer tosse ou esforço, sobretudo quando se adopta uma posição que favoreça a drenagem das secreções acumuladas no interior das dilatações até aos brônquios principais. Inicialmente, a expectoração costuma ser clara, mas com o tempo e como consequência de infecções persistentes ou repetidas, torna-se mais espessa, adquirindo uma cor mais escura e eventualmente um odor fétido.

Ocasionalmente, devido à ruptura de algum vaso sanguíneo da parede brônquica, produz-se expectoração sanguinolenta (hemoptise).

Normalmente, as hemorragias são pouco intensas e limitadas, mas por vezes são repetidas ou tão significativas que podem colocar em perigo a vida.

Também se podem produzir manifestações gerais, de índole diversa, tanto como consequência de uma maior sensibilidade as infecções locais, como por uma alteração da ventilação pulmonar, caso as bronquiectasias sejam muito extensas.

Por outro lado, a acumulação de secreções nas dilatações brônquicas favorece o desenvolvimento de infecções agudas e, neste caso, para além de tosse e expectoração, pode haver outros sinais e sintomas tais como mal-estar geral e febre elevada, dor torácica, etc. Caso não se efectue o tratamento adequado, podem surgir abcessos pulmonares, muito frequentes antes da utilização dos antibióticos.

Sindrome de Felty

Distúrbio caracterizado pela artrite reumatóide, pela dilatação do baço, pela redução na contagem de glóbulos brancos e pelas infecções recorrentes.

Associação de Artrite Reumatóide, esplenomegalia e neutropenia recebe o nome de Síndrome de Felty, que eventualmente (15%) acomete pacientes com doença de longa evolução. Anemia e trombocitopenia podem ocorrer, bem como vasculitemanifestada como úlceras nos membros inferiores e neuropatia periférica. Infecções freqüentes e graves podem ser complicação da neutropenia severa.

Para o tratamento da síndrome de Felty é necessário controlar a atividade da artrite reumatóide com DMARDs (drogas modificadoras da atividade da artrite reumatóide como, hidroxicloroquina ou sulfassalazina) e tratar as alterações hematológicas, até com a utilização do fator estimulador da colônica de granulócitos (G-CSF) em casos de infecções repetidas. No caso de doença refratária, pensar na possibilidade deesplenectomia.

Referências:

Bowman SJ, Sivakumaran M, Snowden N et al – The large granular lymphocyte syndrome with rheumatoid artritis. Immunogenetic evidence for a broader definition of Felty’s syndrome. Arthritis Rheum 1994;37:1326-1330.

Fenômeno de Raynaud

Doença de Raynaud (Reinô) é uma condição que afeta o fluxo sanguíneo nas extremidades do corpo humano — mãos e pés, assim como os dedos destes, nariz, lóbulos das orelhas — quando submetidos a uma mudança de temperatura inferior ou estresse. Foi nomeada por Maurice Raynaud (1843-1881): médico francês que descreveu tal enfermidade pela primeira vez em 1862.

Quando paciente da doença de Raynaud expõem as extremidades do corpo à baixas temperaturas, o suprimento de oxigênio se reduz, e torna a coloração da pele branca, empalidecida, além de fria e às vezes dormente. Quando o oxigênio é totalmente consumido pelas células, esgota-se, então a pele começa a adquirir uma coloração azulada ou roxa (chamada cianose). Estes eventos são episódicos -- com duração variando para cada pessoa de acordo com a gravidade da doença --, sendo que ao terminar o episódio a área é aquecida, retornando o fluxo de sangue por vasodilatação e rubor novamente a pele, às vezes apresentando formigamento e inchaço.[editar]Sintomas

Na variação mais comum da doença de Raynaud há três mudanças de cores presentes (branco ou empalidecido; azul, roxo ou cianose; e avermelhado ou rubor). Apesar de alguns paciente não apresentarem todas as fases de mudanças de cores.

[editar]Doença versus Fenômeno

É importante distinguir a doença de Raynaud do fenômeno de Raynaud.

A doença de Raynaud (ou Raynaud primário) é diagnosticado quando os ocorrem sozinhos, não associado a outras doenças. Frequente em garotas de 13 a 19 anos de idade e mulheres jovens adultas. Esta forma de Raynaud é hereditária.

O fenômeno de Raynaud (ou Raynaud secundário) ocorre subseqüentemente a um grande grupo de doenças, principalmente aquelas ligadas à desordens do tecido humano, como artrite, esclerodermia, entre muitas outras. No entanto, esta forma de Raynaud pode progredir para necrose e gangrena dos dedos.

A diferenciação das duas formas de Raynaud faz-se observando por sinais de artrites ou vasculites e exigindo testes de laboratório.

Segundo o cirurgião vascular do Hospital das Clínicas de São Paulo Celso Ricardo Bregalda Neves, a síndrome de Raynaud atinge até 3% da população mundial. Deste total, 80% são mulheres. Relata que a maioria dos casos ocorre na faixa etária entre 15 e 25 anos, para a doença, e acima dos 35 anos para o fenômeno.[1]

[editar]Prevenção

Pacientes com a doença de Raynaud são aconselhados: a manter a área afetada aquecida (com luvas e meias); devem evitar tocar em objetos frios e ambientes com baixa temperatura; situações estressantes; substâncias que provocam a vasoconstrição, como a nicotina (do cigarro) ou a cafeína (do café, chá, etc.); e também fármacos que promovem a vasoconstrição, como descongestionantes nasais ou aqueles que contenham beta-bloqueadores.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Síndrome de Hughes-Stovin

RESUMO

A síndrome de Hughes-Stovin é uma condição rara, de causa desconhecida, caracterizada pela associação de múltiplos aneurismas de artéria pulmonar e trombose venosa profunda. Alguns autores consideram tal entidade como uma forma incompleta de apresentação da doença de Behçet, devido à semelhança entre os achados radiológicos e anatomopatológicos do comprometimento pulmonar. Os autores relatam um caso de síndrome de Hughes-Stovin cujo primeiro evento trombótico venoso antecedeu em cinco anos o aparecimento dos aneurismas pulmonares.

INTRODUÇÃO

Aneurismas raramente ocorrem na circulação pulmonar e, ao contrário dos aórticos, ocorrem mais frequentemente em pacientes jovens.1

Cerca da metade está associada a defeitos cardiovasculares congênitos, particularmente anormalidades septais e do ducto arterioso. Outras causas menos comuns são: sífilis, aterosclerose, trauma, hipertensão arterial pulmonar e êmbolos infectados.1

Quando um único aneurisma ocorre nas artérias pulmonares, geralmente são as grandes artérias musculares que estão envolvidas. Múltiplos aneurismas são incomuns, mas ocorrem preferencialmente nos ramos periféricos das artérias pulmonares.2

A síndrome de Hughes-Stovin é uma rara condição, descrita inicialmente em 1959,3 e caracterizada por múltiplos aneurismas pulmonares e trombose venosa profunda.4

Sinais e sintomas incluem: tosse, dispneia, hemoptise, cefaleia, febre intermitente, papiledema e aqueles devidos a tromboflebite periférica.5

A causa mais frequente de mortalidade é a ruptura de um aneurisma no interior das vias respiratórias pulmonares.5

Apresentamos um caso de síndrome de Hughes-Stovin cujo primeiro evento trombótico ocorreu cinco anos antes do aparecimento dos aneurismas pulmonares.