AVISO IMPORTANTE

"As informações fornecidas são baseadas em artigos científicos publicados. Os resumos das doenças são criados por especialistas e submetidos a um processo de avaliação científica. Estes textos gerais podem não se aplicar a casos específicos, devido à grande variabilidade de expressão da doença. Algumas das informações podem parecer chocantes. É fundamental verificar se a informação fornecida é relevante ou não para um caso em concreto.

"A informação no Blog Estudandoraras é atualizada regularmente. Pode acontecer que novas descobertas feitas entre atualizações não apareçam ainda no resumo da doença. A data da última atualização é sempre indicada. Os profissionais são sempre incentivados a consultar as publicações mais recentes antes de tomarem alguma decisão baseada na informação fornecida.

"O Blog estudandoraras não pode ser responsabilizada pelo uso nocivo, incompleto ou errado da informação encontrada na base de dados da Orphanet.

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domingo, 28 de outubro de 2012

TDAH VOÇE SABE MESMO DO QUE SE TRATA ???


ABDA/INSTITUTO GLIA/DIVERSAS ENTIDADES Esclarecimento sobre o TDAH

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Recentemente, uma série de matérias sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido veiculada pela mídia jornalística não especializada.
Em boa parte dessas matérias, profissionais apresentados como especialistas em saúde e educação (embora seus currículos informem não terem publicações científicas sobre o assunto) transmitem opiniões pessoais como se fossem informações científicas. Pior, suas opiniões não refletem os conhecimentos atuais sobre o transtorno, que é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e sobre o qual constam centenas de publicações em bancos de dadoswww.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/ descrevendo claramente as graves consequências nas esferas acadêmica, familiar, social e profissional. Tais opiniões equivocadas são nocivas para pacientes, familiares e para a população como um todo.
A afirmação de que o TDAH “não existe”, de que os medicamentos aprovados pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o tratamento desse transtorno são “perigosos” e tornam as crianças “obedientes” é, na melhor das hipóteses, expressão pública de ignorância em relação ao tema, investigado cientificamente de modo extenso por pesquisadores de todo o mundo, muitos deles brasileiros. Na pior das hipóteses, configura crime porque veicula informações erradas sobre tema de saúde pública. Incontáveis Associações Médicas ao redor do mundo já se posicionaram não deixando dúvidas sobre a validade do TDAH (vide posicionamento da Associação Médica Americana em Referências no final do texto).
Tais matérias induzem os leitores à falsa conclusão que há dúvidas não apenas quanto à existência do TDAH, como sobre os benefícios do tratamento medicamentoso. Obviamente, tais textos jamais citam qualquer artigo científico, nenhum dado de pesquisa, demonstrando os tais efeitos “perigosos” ou graves. E, numa prova incontestável da natureza parcial e enganosa, em desrespeito aos princípios básicos do jornalismo, deixam de citar centenas de artigos científicos que documentam fartamente os benefícios, a eficácia e a segurança dos medicamentos usados no tratamento do TDAH. Recentemente, um grande estudo publicado no mais importante jornal Inglês de Psiquiatria documentou que o metilfenidato é a medicação mais eficaz em Psiquiatria e uma das mais eficazes em toda a Medicina (vide em Referências no final do texto).
Os sintomas que caracterizam o TDAH não são comportamentos infantis comuns, meras variações da normalidade, que médicos, pais e professores querem “controlar”. Seria o mesmo que dizer que diabete é um mero aumento de açúcar no sangue, uma simples variação do normal observado na população. Noventa e cinco por cento das crianças e adolescentes não tem a intensidade e gravidade de sintomas que os portadores de TDAH, do mesmo modo que 90% dos adultos não têm níveis elevados de açúcar. Diagnósticos são frequentemente estabelecidos pela intensidade e gravidade. A lista é grande: hipertensão arterial, glaucoma, osteoporose, hipertireoidismo, etc. Todos eles, à semelhança do que ocorre no TDAH, cursam com graves consequências para o indivíduo. Proposições do tipo “quem não esquece alguma coisa de vez em quando?” ou “quem não responde impulsivamente de vez em quando?” são, além de superficiais, irrelevantes: todos os sintomas do TDAH ocorrem em frequência e intensidade não observada em indivíduos normais.
O diagnóstico do TDAH é realizado através de entrevista clínica e há extensa literatura científica sobre a fidedignidade deste procedimento. A sugestão de que a ausência de exames complementares tornaria o diagnóstico “frágil” novamente reflete inacreditável desconhecimento de saúde mental: também não há exames para os diagnósticos de Depressão, Autismo, Transtorno do Pânico, Esquizofrenia, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno Bipolar, etc.
A comunidade científica Brasileira, aqui representada por mais de 20 associações e grupos de pesquisa, reitera que o TDAH pode ser diagnosticado de modo fidedigno e seu tratamento, se bem conduzido, tem grandes chances de diminuir os prejuízos que esses indivíduos apresentam ao longo da vida. Embora tratamentos não farmacológicos possam auxiliar bastante no manejo terapêutico do TDAH, todos os artigos científicos disponíveis indicam que o tratamento farmacológico é a primeira escolha para a maioria dos portadores.
Fornecer informações equivocadas e ocultar dados científicos bem documentados é dificultar ou retardar o acesso da população ao diagnóstico ou a tratamento, é a expressão de uma das mais perversas formas de discriminação social: a Psicofobia.

Brasília, 13 de Julho de 2012

Referências
1. Diagnosis and Treatment of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Children and Adolescents. Larry S. Goldman, MD; Myron Genel, MD; Rebecca J. Bezman, MD; Priscilla J. Slanetz, MD, MPH; for the Council on Scientific Affairs, American Medical Association - JAMA. 1998;279(14):1100-1107
2. Putting the efficacy and general medicine medication into perspective: review of meta- analysis. Stefan Leucht, Sandra Hierl, Werner Kissling, Markus Dold and John M. Davis. British Journal of Psychiatry, 2012, 200:97-106

Entidades signatárias
  1. Associação Brasileira de Psiquiatria
  2. Associação Brasileira do Déficit de Atenção
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria
  4.  Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil
  5. Associação Brasileira de Neurologia, Psiquiatria Infantil e profissões afins
  6. Academia Brasileira de Neurologia
  7. Sociedade Brasileira de Neuropsicologia
  8. Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
  9. Sociedade Interdisciplinar de Neurociência Aplicada à Saúde e Educação
  10. Associação Brasileira de Dislexia
  11. Ambulatório dos Estudos de Aprendizagem do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Neurologia e Pediatria)
  12. DISAPRE – Laboratório de Pesquisa em Distúrbios da Aprendizagem e da Atenção – Faculdade de Ciências Médicas - Universidade de Campinas
  13.  Laboratório de Investigações Neuropsicológicas – Universidade Federal de Minas Gerais
  14. Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento – Universidade Federal de Minas Gerais
  15. Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA) da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP-EPM)
  16. Centro de Referência para Criança com TDAH Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira – Universidade Federal do Rio de Janeiro
  17. Ambulatório de Neuropsicologia Pediátrica do Serviço de Neurologia do Complexo Hospitalar Professor Edgar Santos da Universidade Federal da Bahia
  18. Ambulatório de Distúrbio de Aprendizagem da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo
  19. GEDA - Grupo de Estudos e Pesquisa do Déficit de Atenção da Universidade Federal do Rio de Janeiro
  20. NANI – Núcleo de Atendimento Neuropsicólogo Infantil – Universidade Federal do Estado de São Paulo
  21. Comunidade Aprender Criança – Instituto Glia
  22.  Núcleo de Investigações da Impulsividade e da Atenção da Universidade Federal de Minas Gerais
  23. Centro de Orientação Escolar - Hospital da Criança Santo Antonio da Santa Casa de Porto Alegre
  24. Laboratório de Clínica Cognitiva do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia
  25. Programa de Déficit de Atenção/ Hiperatividade do Hospital de Clinicas de Porto Alegre da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  26. Serviço de Psiquiatria Infantil da Santa Casa do Rio de Janeiro
  27. Grupo de Pesquisa em Neurodesenvolvimento, escolaridade e aprendizagem – CNPq
  28. Ambulatório de Déficit de Atenção (AMBDA) da Universidade Federal de Minas Gerais
  29. Instituto ABCD

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Síndrome de Kleine-Levin (SKL)

A Síndrome de Kleine-Levin (SKL) caracteriza-se pela trilogia dos sintomas: hipersônia (diurna e noturna), hiperfagia e hipersexualidade. Ainda podem ser acrescentados à trilogia clássica: irritabilidade e apatia. A SKL foi descrita pela primeira vez em 1925 e 1929 por Klein e Levin. É uma perturbação crônica (com duração variável, em torno de 8 anos), paroxística (com períodos críticos de "ataques", que persistem por cerca de 10 dias e que recorrem três a quatro vezes por ano) e bastante incapacitante (tanto para as tarefas intelectuais quanto para a vida profissional e social), embora seja "autolimitada" quanto ao tempo de evolução, isto é, terminando, espontaneamente, com ou sem tratamento. É bastante rara, chegando alguns estudos a mencionarem que até 2004 eram apenas 500 casos registrados em todo mundo. Acredita-se que seja subdiagnosticada. EPIDEMIOLOGIA Mais frequente entre homens, ainda que alguns estudos apontem 21% de mulheres acometidas. Há divergências quanto à idade em que geralmente ocorre o primeiro episódio: alguns trabalhos mencionam primeiro episódio na adolescência como típico, outros o primeiro episódio na segunda década. Dando continuidade aos sintomas na segunda ou terceira décadas de vida. ETIOLOGIA Ainda de causa desconhecida. Suspeita-se que seja uma doença auto-imune desencadeada por vírus, vez que a maioria dos casos principia após uma infecção viral (semelhante à influenza, síndrome gripal), com febre mediana e amidalite. QUADRO CLÍNICO

Doença faz com que jovem durma por mais de 10 dias seguidos

Rio - Uma síndrome muito rara fez com que a inglesa Louisa Ball, de 15 anos, ganhasse o apelido de "Bela Adormecida". Mas sua vida não é conto de fadas. O distúrbio neurológico chamado síndrome de Kleine-Levin (SKL) faz com que a adolescente durma por mais de dez dias seguidos. A jovem desenvolveu a doença em 2008, após se recuperar de uma forte gripe. Ementrevista ao jornal inglês Daily Mail, Lottie, 45 anos, mãe de Louisa relatou como se deu o primeiro "surto de sono" de sua filha. " Ela estava exausta e parecia nao estar melhorando. Minha filha começou a dormir na escola e e a falar sobre coisas que não fazia sentido - Ela realmente não parecia a Louisa que conheciamos", disse ela.
A jovem chega a dormir profundamente por 22 horas
Logo após o primeiro surto ela foi encaminhada ao hospital da cidade onde a família mora. O médico que atendeu a adolescente disse ao casal que nao sabia o que havia de errado. O pai de Louisa conta que ela dormia durante dez dias de cada vez. A jovem chega a dormir profundamente por 22 horas, até a hora que os pais a acordam. O tempo sem dormir é o suficiente para comer algum alimento e ir ao banheiro, então ela volta a adormecer. O pai dela conta como é acordar sua filha. "É muito difícil acordá-la, mas sabemos que temos que dar-lhe comida e água", relatou Richard Ball. A síndrome foi diagnosticada em março do último ano. De acordo com os médicos do Hospital de St George, no Reino Unido, o distúrbio está relacionado com o mau funcionamento do hipotálamo, a parte do cérebro que regula o apetite e o sono. De acordo com os especilistas a doença é mais comum em homens do que mulheres e geralmente desaparece na idade adulta. Não há tratamento definitivo para a Síndrome de Kleine-Levin, embora alguns pacientes sejam tratados com medicamentos estimulantes para tentar mantê-los acordados. Louisa começou a tomar um remédio em 2008 mas não fez efeito, ela começou a cair no sono por até 12 dias de cada vez. Um novo medicamento foi receitado para a menina a pouco tempo. Os pais esperam que ele ajude a regular o sono de sua filha.
creditos para

Durante os episódios
Os episódios podem ser precedidos por uma fase prodrômica que dura de 1 a 3 dias com: mal-estar, cefaléia e letargia. Os ataques de sonolência surgem e terminam repentinamente e duram de dias a semanas. A pessoa dorme por 18, 20h seguidas. Os intervalos de normalidade entre os ataques podem durar: semanas, meses, até anos. Outro sintoma é o consumo de grandes quantidade de comida, que pode se dar pela hiperfagia ou pelobinge eating (compulsão alimentar, ficar comendo toda hora). Com marcante predileção por doces e chocolate. A hiperfagia ou o binge eating podem não estar presentes em todos os ataques de hipersonia. Alguns trabalhos mencionam que a hiperssexualidade somente se apresenta em 1/3 dos pacientes, sendo muito mais frequente em homens. A desinibição social também é marcante. Além disto, humor eufórico é o mais frequente: com o indivíduo acometido tagarelando, cantando, inquieto, nas horas em que não está dormindo. mas labilidade emocional e depressão também são encontrados. Podem apresentar ainda idéias delirantes persecutórias e alucinações visuais. Alguns casos apresentam ainda confusão mental leve.
Após os episódios
Há uma amnésia, pelo menos parcial, envolvendo os fatos ocorridos durante o "ataque". Quase todos os pacientes são normais entre os episódios, entretanto alguns apresentam alterações do humor (irritabilidade, desânimo, etc) e prejuízos cognitivos como facilidade para esquecer. DIAGNÓSTICO É clínico. Durante o "ataque" a polissonografia pode mostrar uma diminuição do sono de ondas lentas com múltiplos episódios de despertar a partir da fase 2. O Teste de Latência de Sono Múltiplos (MSLT) pode evidenciar um sono REM de início tardio. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Narcolepsia: os "ataques"de sono são muito breves e não costumam durar mais que meia hora. Apnéia do sono: não são ataques, mas uma sonolência crônica. TRATAMENTO O lítio aparece em todos os trabalhos como terapêutica. Outras medicações adjuvantes, especificamente para os ataques, são: modafinil e metilfenidato. COMPLICAÇÕES Prejuízos para a vida acadêmica e laboral dos pacientes, dadas as interrupções provocadas pelos "ataques". Além de prejudicar sua vida familiar e social. PROGNÓSTICO Com o passar do tempo os episódios tendem a ser mais esparsos e menos intensos. Na maioria dos pacientes os episódios cessam na terceira década de vida. BIBLIOGRAFIA LIMA, Dênio and ZAGALO-CARDOSO, José Antônio. Síndrome de Kleine-Levin: caso clínico e dificuldades de diagnóstico. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2007, vol.29, n.3 [cited 2009-11-25], pp. 328-332. REIMAO, RUBENS and SHIMIZU, MARISA H.. Kleine-levin syndrome: clinical course, polysomnography and multiple sleep latency test. Case report. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 1998, vol.56, n.3B [cited 2009-11-25], pp. 650-654 . JUSTO, Luís Pereira; CALIL, Helena Maria; PRADO-BOLOGNANI, Sílvia A. and MUSZKAT, Mauro. Kleine-Levin syndrome: interface between neurology and psychiatry. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2007, vol.65, n.1 [cited 2009-11-25], pp. 150-152 . Síndrome de Kleine-Levin: Revisión y caso clínico. Manual de psiquiatría médica. Por David P. Moore,James W. Jefferson, pp 59-60.